[[legacy_image_64483]] Mesmo estudando palhaçaria desde 2003, a palhaça de Julia Bertollini só nasceu em 2014, após uma experiência no curso Solar da Mímica, com Vanderli Santos e Gaus Solar. Deste momento em diante, ela se tornou a Palhaça Catarina, que hoje integra o coletivo Praiaças. "É uma chave que viramos e que abre muitos portais", reconhece a artista. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A partir da inserção no coletivo, Julia finalmente se encontrou com a palhaçaria feminina. "Não tinha ideia de que muitas mulheres já estavam se movimentando para ressignificar essa arte. Fiquei apaixonada pela ideia de me juntar com outras mulheres palhaças e dar vida a um movimento tão importante para a sociedade e para nós mesmas". No passado, especialmente no século XIX, havia um consenso de que palhaçaria era coisa de homem. As atuações femininas na palhaçaria começaram sobretudo no final da década de 1950, tornando-se realidade no Brasil somente nos anos 1980. De lá para cá, a arte circense feminina tem se tornado, cada vez mais, um instrumento político. "Acredito que ser palhaça é um ato político, revolucionário, pois o circo durante muito tempo não era um lugar onde a mulher tinha voz. Com o passar do tempo, e a luta de tantas outras mulheres palhaças, foi construído o nosso espaço", reflete Julia. Ela faz parte do coletivo desde março de 2017, participando nesse processo de reconstrução da intervenção feminista, politizada e sensível das Praiaças. Inovações na pandemia Enquanto observava novas possibilidades de ação diante da pandemia, deparou-se com um instrumento peculiar: o TikTok, aplicativo em ascendência no público infantojuvenil e jovem adulto, que trouxe um novo olhar da palhaçaria online. Para Julia, as criações no aplicativo começaram aos poucos. "O Tiktok entrou na minha vida para suprir a necessidade de colocar o meu nariz de palhaça. No começo foi uma brincadeira, mas acabou dando certo, onde conheci muita gente de outros estados e que puderam conhecer um pouco do meu trabalho e de outras palhaças". Mesmo se mantendo em atividade, o retorno financeiro ainda é uma preocupação. "Apesar do isolamento ter afastado os artistas que vivem da arte, muitos conseguiram inspiração para se reinventar, porém, a parte financeira foi muito afetada. Os artistas de teatro, assim como os circenses, ainda sofrem com tudo que estamos passando". Entretanto, Julia se mantém de cabeça erguida e com o nariz vermelho a postos. "Ficou claro o quanto a arte é essencial para a vida das pessoas", especialmente em tempos de pandemia. Mesmo com todos os desafios, o show não pode parar. "A força do circo jamais acaba porque ela está dentro de nós, somos resistência", conclui.