[[legacy_image_125890]] A fórmula rock-orquestra sempre se provou uma escolha cativante para os ouvidos. Desde as experimentações musicais de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), icônico disco dos Beatles que formava uma ponte entre a música popular e a arte considerada legítima durante a contracultura, ou com a verdadeira revolução sonora provocada por A Night at the Opera (1975), em que o Queen construía um marco na ópera rock, recebemos com um misto de paixão e curiosidade as misturas elementais entre o erudito e o popular. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Embora pareçam contrastantes no papel, os estilos se encontram e promovem uma verdadeira mágica aos ouvidos quando experimentados ao vivo. Casar o popular e o erudito causa uma revolução que atravessa fronteiras musicais entre diferentes gerações. O regente Guga Petri, maestro titular da Orquestra Sinfônica Municipal de Santos, sempre viu esse encontro com bons olhos. Para ele, que bebeu de ambas as fontes, o casamento entre rock e orquestra não só funciona, como é uma estratégia perfeita para conquistar novos públicos. “Se você pensar bem, na história do rock tem muita integração com orquestra. Apesar de virem de mundos aparentemente bem diferentes, eles têm uma intersecção bastante forte”, analisa. “O rock tem um tipo de força mais primitiva e a orquestra combina bem; sempre foi um namoro que deu certo”. Para ele, que inicia seu retorno aos palcos com os eventos de retomada da região, é bom trazer essa mistura de sucesso para o rock brasileiro. Peso e ornamento O cantor santista Christopher Clark acredita que a boa combinação vem da estrutura musical próxima entre os estilos. “Quando você orna a distorção, que preza o peso, com a parte de arranjo, que tem a melodia e as cordas, a coisa fica descomunal, muito grande. Cantar em cima disso é sempre emocionante demais”, descreve o artista, que esteve à frente do concerto de retomada da Orquestra Sinfônica de Santos no Teatro Municipal Braz Cubas na última quinta-feira. A combinação também torna a música erudita mais acessível às novas gerações. A cantora santista Carol Germano, que integrou o concerto da Orquestra de Santos, comenta essa transição de estilos: “Traz uma nova roupagem para as músicas clássicas, que estão na boca do povo. As pessoas que, infelizmente, não tinham a possibilidade de ver uma orquestra agora têm acesso, com uma linguagem mais popular, com músicas cantadas por todos. É uma mistura que une o melhor dos dois mundos”. Segredo do sucesso Para o maestro, o toque de mestre para a mescla de estilos funcionar bem está nos arranjos. Essa adaptação fica nas mãos firmes dos arranjadores, profissionais especializados em preparar as composições musicais para um grupo específico de vozes ou instrumentos musicais. Segundo Guga, o Brasil tem uma boa safra deles, e o incentivo à profissão é fundamental para seguirmos com grandes espetáculos pelo País. “A orquestra não improvisa, então quem faz o grande trabalho para nós são eles, que escrevem para a orquestra. A gente tem um time muito legal, com pessoas do Brasil inteiro que escrevem conosco. Esse é o segredo para dar certo, o arranjo estar bom. Temos uma tradição de bons arranjadores nas orquestras brasileiras”. O trabalho revitaliza músicas populares, cria novas sensações e engloba diferentes elementos da música. “Isso estimula, sai da coisa pasteurizada”, descreve Guga, que acredita nesse potencial de adaptação para reinventar canções novas e clássicas.