[[legacy_image_346733]] Neste Dia Internacional do Livro Infantil, duas autoras falam sobre suas experiências com a escrita e sobre a importância da leitura ser estimulada desde cedo, para que se torne o hábito que fará de qualquer criança um adulto crítico e ciente de seu lugar no mundo. A primeira delas é Eliana Martins: que se tornou escritora a partir da formação em magistério com especialização em crianças com necessidades especiais. Depois, ainda estudou Psicologia e Artes Visuais. Já são 33 anos de carreira, com 95 livros publicados, além de roteiros de programa de TV e peças de teatro para crianças. Segundo Eliana, tudo começa na infância: “A literatura infantil, a meu ver, é a porta aberta para todos os começos, principalmente o despertar para o mundo mágico da leitura”. Chamada carinhosamente de a Maga da Literatura, Eliana é autora de um grande sucesso: A Vizinha Antipática que Sabia Matemática. Um verdadeiro best seller. Recentemente, lançou O Professor de Português Enlouqueceu de Vez. Ambos são da Editora Melhoramentos. O segredo para obras criativas, que passam conhecimento sem serem pedagógicas, é uma só: o humor. “Procurei colocar nesses livros a ludicidade ingênua, misturada ao conhecimento. Nunca tive intenção de ensinar matemática ou português; mas apenas mostrar o quanto essas matérias são importantes”. Se não deseja ensinar, ao contrário, aprende como escritora. “Porque mergulhamos em muitas pesquisas e é delas que, sentindo os mesmos anseios dos personagens, tentamos atrair o leitor”. Nesse jogo de aprender e mostrar, com a família e a escola em suporte, novos leitores vão sendo construídos. “Os exemplos de pais leitores e professores incentivadores da leitura, certamente são os responsáveis pelo despertar de novos leitores”. Poesia combina com criançaDe uma geração de jovens escritoras, Mariana Brecht, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura em 2021 com a autoficção Brazza, também é roteirista e designer narrativa de jogos. Portanto, considera que seu ofício é mesmo o de contar histórias. “Meu amor pelas palavras e pelas imagens que elas podem evocar precedem, para mim, qualquer sentido narrativo. Essa dinâmica se reflete no meu processo criativo. Muitas vezes, ao escrever, começo pensando a imagem que desejo transmitir, e só então reflito sobre o significado que ela confere à história”. Segundo Mariana, a literatura nos ensina a imaginar. O espaço entre cada palavra oferece um vazio que só pode ser preenchido por nossas próprias ideias. Apenas uma pequena parte da história está dada; as imagens, os sons, os cenários são moldados pela pessoa que lê. A imaginação é hoje, mais do que nunca, um recurso essencial. Em meio à crise climática, o futuro que aguarda as crianças não é promissor. É necessário criar soluções, trilhas, alternativas e formas de convivência que permitam vislumbrar um futuro em um mundo onde a vida seja possível. Nessa missão, a literatura é uma grande aliada. O próximo lançamento infantojuvenil será no final deste mês, pela Editora Florear Livros. A Menina com os Pés no Chão tem uma narrativa poética, profunda de emoções como o sentimento do vazio. Algo que tantos jovens sentem hoje. Segundo a escritora o que a inspirou a nessa obra foi seu próprio processo terapêutico, que coincidiu com a pandemia , em 2020: “percebi a intensidade dos sentimentos que permeiam minha vida. Sou uma pessoa muito emocionada! Sempre senti tudo com muita profundidade, o tempo todo. Isso me tornava vulnerável em muitas situações, mas também era, de certa forma, um superpoder, permitindo-me estar mais sensível ao meu entorno”. O grande desafio para ela era aprender a caminhar sem se machucar demasiadamente. “Foi por isso que escrevi a história de Gaia, A Menina com os Pés no Chão, um guia para minha própria jornada, uma bússola que apontava para o caminho a seguir”. Gaia é a única pessoa do reino com “os pés no chão”, mas também a personagem mais sonhadora do local. Isso inverte o sentido comum do pragmatismo, desafiando o discurso da “racionalidade acima de tudo” ou a ideia de que ser ‘pragmático’ significa discordar dos sentimentos. Trata-se também de uma história sobre aceitação da diferença, seja ela qual for. Na obra, as ilustrações têm um papel muito importante, um trabalho belíssimo da Lumina Pirilampus. Mariana acredita que os ilustradores também são autores: “quando recebi o livro com as ilustrações da Lumina, percebi que ele já não era mais apenas o que eu havia escrito, tornara-se algo completamente diferente, infinitamente maior. Ela teve a sensibilidade de capturar os sentimentos que eu desejava transmitir com o livro e transformá-los em imagens”,conta.