[[legacy_image_45430]] “Ser feliz é um ato de coragem e resistência”, diz Nany People, enquanto fala sobre a necessidade cada vez mais pulsante do riso, de cuidar de si e de quem ama, diante de uma realidade tão dura e incerta. Com extensa carreira na televisão e teatro, agora a artista investe no cinema e inspira as novas gerações com seu bom humor e carisma inabaláveis. Sua próxima novidade é Quem Vai Ficar com Mário?, longa dirigido por Hsu Chien, que estreia em 27 de maio nos cinemas após uma longa espera. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Nany interpreta Lana de Holanda, estrela da companhia que traz um frescor ao quinteto de amigos composto por Mário, seu namorado (o diretor da companhia) e dois bailarinos. “A Lana é o pensamento feminino nesse quinteto homossexual. É a estrela, a musa, a diva, o lado mãe”. Para apimentar a confusão, ela vive um romance com o pai de Mário, que não sabe que ela é uma mulher transsexual. “O pai do Mário, super careta, se apaixona pela Lana, que é trans”. A comédia busca desmistificar alguns tabus e divertir, com um roteiro que se apropria das ofensas feitas contra a comunidade LGBTI+ e as transformam em riso, leveza e transformação. “O legal é que o filme fala com bom humor da liberdade de cada um ser quem é. Os subtextos estão ali, e foi muito divertido fazer, é um sopro de liberdade na cara da gente”. O conceito de “família tradicional”, também imersa em uma cultura machista e homofóbica, é desconstruído por completo. “No fim, é sobre não se levar muito a sério”, completa. Faça você mesmo Em toda sua trajetória, Nany People soube que ser de verdade era o mais importante na vida. Multifacetada, ela integrou o elenco de diversos programas televisivos sempre entregando sinceridade em sua arte. Estrelou nas novelas em O Sétimo Guardião, da TV Globo, interpretando o elogiado químico trans Marcos Paulo Pianowski. Sempre se aproximou de pessoas otimistas, como a artista Rogéria, sua musa, e Hebe Camargo. Paulo Gustavo também está nessa lista, inspirando a tomar as rédeas de sua carreira. “O Paulo gerava seus próprios espetáculos. ‘Ninguém me chama para trabalhar, então vou montar meu show’, ele dizia. Eu fiz isso na minha vida também (...) Paulo foi antropológico. Ele entrou com o pé na porta da família tradicional brasileira e disse ‘vocês vão ter que me engolir’, e ele fez isso. A Dona Hermínia fez isso”. Nany coordena todos os segmentos de sua carreira e, além de Quem Vai Ficar com Mário, tem outro projeto para ser lançado. O filme O Troco, gravado em São Paulo, em 2018, também foi adiado. Identidade é arte “Tudo na vida é questão de perspectiva” e, segundo Nany, quando iniciou sua transição de gênero, sabia que o mais importante era estar no caminho certo para si mesma. “É tudo questão de ponto de vista, sabe? Me perguntam se não foi problema a minha transição, e eu digo ‘não, foi solução!’ Problema era antes que eu não me enquadrava. Fiz a minha realidade acontecer, fiz viável”. O teatro contribuiu muito com o encontro de suas verdades. “A Fernanda Montenegro diz que ‘ator não tem sexo, ator tem energia’. O teatro é libertador e transgressor por isso. Tem a catarse. Você se joga com empatia na coisa. Paulo Gustavo era prova disso”. Com uma carreira de sucesso, Nany reflete que vive uma vida livre, feliz consigo mesma. “Acho que depende do jeito que você encara a vida. Eu nunca coloquei a minha sexualidade como estandarte, não tenho por que expor ninguém. Mas a vida quer que a gente seja endurecida, quer que todo mundo fique quietinho, que ninguém pense diferente do convencional”. E acrescenta: “A melhor companhia que a gente tem é a gente mesmo! Conviva bem com você”, recomenda.