[[legacy_image_202600]] Há sete anos, um dos grandes nomes e apostas da música clássica mundial decidiu se aventurar pelas ‘terras da rainha’. O violonista de Itanhaém Plínio Fernandes, de 28 anos, saiu dos subúrbios da Baixada Santista e foi direto para Londres após ganhar uma bolsa integral da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O músico acaba de debutar ‘Saudade’, seu novo álbum pela gravadora inglesa Decca Gold, fruto de uma aposta feita em 2014: estudar no famoso conservatório inglês. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Quando eu tinha 17 anos e já estava pensando em estudar fora do país, perguntei para um dos meus irmãos, que dá aula na instituição, qual seria o lugar mais indicado para eu estudar música. Estava torcendo para que ele dissesse o nome da Royal Academy”, relata Fernandes.“Assim que ele disse para eu estudar lá fiquei confiante, mesmo estando um pouco acanhado por ser uma escola muito grande e de muito renome”, completa. A música já acompanhava Plínio muito antes de ele começar a andar. Seu bisavô foi o compositor do hino da cidade de São Bernardo do Campo e o pai um entusiasta do violão, caminho que o jovem logo começaria a trilhar. Aos sete anos ele passou a ter aulas de violão erudito com o atual maestro da Orquestra Sinfônica de Campo Grande, Eduardo Martinelli. “Minha família sempre me incentivou. Desde a primeira nota que toquei”, conta o violonista. [[legacy_image_202601]] Suas principais referências na música clássica vão de Bach a Heitor Villa-Lobos mas não ignora os outros estilos. “Tenho muitas influências no ramo musical porque eu cresci escutando músicas brasileiras. Meu pai é muito fã de MPB e isso me influenciou demais, a gente ouvia os CDs até quebrarem”, explica. Racionais MC’s também faziam parte da playlist de Plínio. “O grupo me deu um empoderamento muito forte, até por eu ser um menino negro no Brasil. Isso me abriu a cabeça e a música clássica me deu um norte”. Royal Academy of Music Em novembro de 2012 o músico enviou um DVD tocando o repertório exigido e participou de uma entrevista onde precisava explicar por que a Royal Academy of Music era um lugar para ele. Plínio admite que tudo foi feito de uma forma “capenga”: com a câmera ligada em seu rosto e lendo um papel ao lado com um inglês “meio fajuto”. A confirmação de sua aprovação veio em janeiro de 2013. Porém, por vir de uma família humilde, não poderia arcar com os custos de vida londrino nem com a anuidade do conservatório, cerca de R\$ 112 mil. Mesmo sem saber como faria para resolver esse empecilho, Plínio decidiu voltar a estudar inglês. “Naquela época, meu inglês era muito precário, eu falava só aquilo que aprendíamos na escola. E quando ganhei a bolsa na Royal Academy eu pensei ‘mas agora, e o inglês?’. Então decidi correr atrás: ia dormir todos os dias escutando podcasts em inglês”, admite. Foi quando o jovem foi surpreendido no momento que menos esperava. Ele havia sido contemplado para uma bolsa integral da Capes. “Um dia estava voltando da aula de inglês e recebi uma ligação pedindo para eu enviar uma carta explicando todos os custos. Segundo eles, eu representaria o Brasil”. Há quase oito anos Plínio vive em Londres, onde estudou durante seis anos: quatro de graduação e mais dois de mestrado. Hoje, está “vivendo no mundo real”, como gosta de chamar a vida após os anos de estudo. [[legacy_image_202602]] Saudade “Desde que eu vim para Londres eu fui só duas vezes para o Brasil. Isso me fez acumular muitas saudades”, explica o músico. Segundo ele, decidiu nomear seu primeiro álbum, lançado em julho, de ‘Saudade’ por conta de suas saudades do Brasil e da identidade brasileira. “As pessoas podem esperar um registro muito genuíno de um repertório que se conecta de uma forma profunda e natural. Uma compilação de músicas que mais me tocam”. Ele diz que o álbum conta com um repertório super brasileiro, onde todas as músicas foram compostas por brasileiros. “Esses prelúdios que eu gravei no violão eu toco desde muito moleque, então eu tenho lembranças minhas, uma memória afetiva muito viva em mim. Foi uma forma que eu encontrei de ficar perto, mesmo longe, do Brasil”. Plínio conta que 'Saudade’ é para mostrar o quanto o violão é lírico e o quanto ele consegue conectar e transmitir a mensagem sem ter a letra das canções. “O violão por si só já consegue dizer tudo”.Escute ‘Saudade’ aqui. [[legacy_youtube_A7uzrnuinDw]]