[[legacy_image_271261]] Era uma vez um menino de Itanhaém que sonhava com música. O menino cresceu, o sonho expandiu-se. Hoje, aos 28 anos, o violonista Plínio Fernandes veio de Londres, Inglaterra, onde mora há quase 10 anos, para participar da cerimônia do Prêmio da Música Brasileira (PMB), nesta quarta-feira (31), no Rio de Janeiro. A presença não é aleatória: Plínio concorre na categoria Regional, como Revelação do Ano. “Eu me sinto lisonjeado por ter sido indicado ao PMB. Cresci assistindo ao prêmio”, afirma. É fato: criado em 1987 por José Maurício Machline como Prêmio Sharp, firmou-se como uma das maiores honrarias da música nacional. Este ano, alcança a 30a edição. Na mesma categoria, como Revelação, concorrem Fernando Dias Gomes e Maurício Guil. “É interessante, porque geralmente, a maioria dos indicados é formada por cantores. Mas nós três somos instrumentistas, o que é ótimo para a música instrumental”. Na mesma categoria de Plínio, mas em subcategorias distintas, concorrem, por exemplo Almir Sater e Alceu Valença (como melhores intérpretes), e Olodum e Quinteto Violado (como melhores grupos). SaudadeOs caminhos que levaram Plínio à indicação ao PMB estão recheados de Saudade – com ‘s’ maiúsculo, mesmo. O nome do seu álbum de estreia, lançado em julho do ano passado, reflete o sentimento que o assola por estar longe do Brasil. “Sinto falta das pessoas, da natureza, da comida”, resume. Mistura bem azeitada de erudito com popular, que une trechos de Villa-Lobos à participação de Maria Rita na faixa O Mundo É um Moinho, de Cartola, por exemplo, o álbum realizou o feito de alcançar o número 1 da parada da revista Billboard, nos Estados Unidos, como álbum clássico tradicional. Corta para 2013. Nesse ano, aos 18 anos, foi selecionado para a Royal Academy of Music, em Londres, uma das mais conceituadas do mundo. Era o sonho da música, que começou ao observar o pai andar pela casa com o violão, ganhando corpo e solidez. As aulas formais tiveram início aos sete anos. “A música me deu tudo o que ganhei na vida. Estudei em escolas particulares com bolsa de estudos, por causa da música. Foi ela que me levou a lugares fenomenais e a conhecer pessoas maravilhosas”. DesmistificarA ideia por trás de Saudade foi desmistificar a aparente oposição entre erudito e popular. O próprio Villa-Lobos, inspirado por Chopin e Bach, já fazia essa transição. “Ele introduziu elementos da música popular, de samba, choro, cada um em um contexto da vida social brasileira”. Embora não guarde ressalvas sobre a onda de popularização das orquestras, ao se fundirem a grupos de rock ou pop, Plínio observa que essa maior visibilidade não se traduz na música clássica. “Não é isso que vai fazer as pessoas assistirem música de concerto”, enfatiza. Para ele, questões culturais são as barreiras entre o grande público e a música erudita. O que, a seu ver, é um prejuízo para o indivíduo e, por conse-quência, para toda a sociedade. “A música clássica desperta uma profundidade maior de sentimentos, de troca, propicia conexões humanas. Como toda arte, traz o melhor do ser humano à tona”.