[[legacy_image_31504]] Para Murilo Benício, Raul tinha todas as chances de ser “cancelado” em Amor de Mãe. Na novela das 21 horas da Globo, o personagem traía Lídia (Malu Galli) durante o casamento e, depois, teve um relacionamento conturbado com Érica (Nanda Costa), tomando algumas decisões questionáveis. No entanto, seu intérprete pontua uma mudança no comportamento do empresário, que está aberto a aprender e a se desconstruir. Na reta final da história, ele parece ter encontrado a felicidade ao lado de Vitória (Taís Araujo) e do filho Sandro (Humberto Carrão). Apesar da trama de Manuela Dias estar terminando, o ator continuará no ar com a reprise de Ti-Ti-Ti, exibida originalmente entre 2010 e 2011, no Vale a Pena Ver de Novo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Na entrevista a seguir, o artista de 49 anos comenta o que aprendeu com o Raul de Amor de Mãe; fala de como se sentiu no período em que ficou longe dos Estúdios Globo, por conta da pausa nas gravações; e que lembranças tem do retorno das filmagens. Murilo ainda avalia as decisões da direção da novela para proteger o elenco, e o que ficará na sua vida dos desafios enfrentados para finalizar o trabalho, em meio à pandemia do novo coronavírus. Por fim, ele relata a alegria de ver Ariclenes/Victor Valentim de volta em Ti-Ti-Ti e a saudade que sente do diretor Jorge Fernando, falecido em 2019, após sofrer uma parada cardíaca. O que você aprendeu com o Raul de Amor de Mãe? O que eu achei interessante é que meu personagem poderia ser cancelado a qualquer momento, porque ele era machista. Mas, ao mesmo tempo, estava aberto a aprender. Lembro-me de falas que a gente ponderava na hora da gravação se deveria suavizar, mas pedi que não. Demos a ele a oportunidade de aprender, pois, mal ou bem, ainda vivemos em uma cultura machista, principalmente os homens. Eu me via muito parecido com ele. Por quê? A gente ia aprendendo conforme o Raul ia errando, com os textos, as situações, vendo a forma como a Manu (Manuela Dias, autora) desenvolveu o personagem e a história dele até o final. Eu achei isso legal. Era um machista querendo se modernizar e viver os tempos de hoje. Tinha um sentimento aflorado, uma coisa delicada, não estava fechado em uma ideia só. Isso me chamava muito a atenção quando fazia a novela. Como se sentiu no período em que ficou afastado das gravações? Toda novela que a gente faz, por mais que você esteja amando o trabalho, dá uma canseira. Mas aí, de repente, paramos as gravações e nem deu para ficar cansado. Amor de Mãe foi a primeira que falei que não fiquei dessa forma porque foi interrompida. Foram férias forçadas e senti saudade de algo que não terminou, uma aflição para conseguir finalizar. Qual é a primeira lembrança que você tem da volta às gravações? Acho que teve essa euforia de carinho na nossa volta. Outro dia, estava pensando que, quando o Projac foi inaugurado, uma portaria se abriu e nunca mais fechou. É uma empresa que não fecha, sempre cheia, e essa volta foi meio assustadora. Trouxe essa elevação de cuidado que a gente sentia pelos outros. Parecia que éramos os sobreviventes de uma bomba, tudo muito reduzido, com pessoas explicando como tínhamos de proceder dali para frente. Mas também deu uma coragem. A Cultura foi importante para sobrevivermos, a música, as séries... Isso deu um alento para ficarmos dentro de casa. Como avalia as decisões da direção da novela nesse período de pandemia? É legal todo mundo saber que, apesar do estudo de como seria o processo, a palavra final para voltar a gravar foi dos atores. E a empresa teve respeito com o elenco inteiro. Esse é um lugar muito especial que a gente viveu. O que acha que vai levar para a vida, dos desafios enfrentados para filmar Amor de Mãe