[[legacy_image_125846]] Qual a maneira de um fã chegar o mais próximo possível do seu ídolo? Tentar uma vaga na fila de camarim? Comprar um ingresso no gargarejo? Segui-lo em hotéis? Colecionar tudo o que sai dele na mídia? Todas essas opções são válidas. Mas e quando o admirado já se aposentou dos palcos? No caso de Rita Lee, que fez seu último show em 2012, a solução é correr para a megaexposição Samsung Rock Exhibition Rita Lee, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), da Capital, em cartaz até domingo. Na mostra – e não é à toa que logo no início há um disco voador pairando sobre a cabeça dos visitantes – é possível ser teletransportado para o universo único e criativo da cantora. Realizado pela Dançar Marketing, mesma empresa que trouxe ao Brasil as exposições de Jimi Hendrix (2015) e Nirvana (2017), e com curadoria de João Lee, filho do meio de Rita e Roberto de Carvalho, e direção artística do jornalista Guilherme Samora, o evento vinha sendo planejado e negociado desde 2018. Lúdico Organizada em 18 áreas temáticas, a exposição evita a formalidade de uma linha do tempo certinha demais e, de uma maneira lúdica, faz com que a própria Rita conduza os visitantes por sua história. Uma das maneiras de fazer parte desse universo é acessar os QR codes indicados na sala e ouvir a própria Rita lembrando sua carreira. A outra, original, que se torna o grande trunfo da mostra, se dá pelos 42 manequins espalhados pelos dois andares do salão principal do MIS. Eles vestem figurinos que Rita usou desde os tempos dos Mutantes. Há, por exemplo, o vestido que a cantora usou na apresentação dos Mutantes no Festival Internacional da Canção – a foto desse momento estampa a capa do segundo álbum do grupo, de 1969. A peça foi emprestada pela atriz Leila Diniz (1945-1972), que tinha usado na novela O Sheik de Agadir. Rita jamais devolveu. Outra peça é o figurino completo que Rita vestiu para fazer a foto de capa do álbum Fruto Proibido, de 1975, um dos mais celebrados de sua carreira e no qual ela, ao lado do grupo Tutti Frutti, lançou sucessos como Ovelha Negra e Agora Só Falta Você. A imagem é reconstruída em 3D, inclusive com os instrumentos originais utilizados no cenário da foto. Um dos itens mais pedidos pelos fãs, as botas prateadas de plataforma Biba, têm lugar de destaque. Elas foram furtadas por Rita da loja da estilista Barbara Hulanicki, em Londres, em 1973. Anos depois, a designer polonesa passou um tempo no Brasil. Rita a procurou e confessou o crime. No lugar de uma bronca, ganhou os figurinos do show Babilônia. Eles ocupam uma sala toda cor-de-rosa da mostra. Ao largo do tempo É incrível notar como Rita preservou esse e muitos outros figurinos, instrumentos e objetos. “Ela é acumuladora, isso é fato. Mas também há o carinho como tudo isso foi feito ao longo dos anos. Tudo sempre foi pensado, desenhado por ela. Para fazer um trabalho, um show, ela criava sempre um storytelling”, explica João Lee. Os manequins foram desenvolvidos especialmente para a mostra. Não havia no mercado peças disponíveis que vestissem de maneira adequada as roupas da cantora. E mais: eles têm a cara, o cabelo e as expressões de Rita nas diversas fases de sua vida. Arrepio Todo esse capricho impressiona os fãs que visitam a exposição. Uma mulher, com lágrimas nos olhos, mostra o braço arrepiado para João Lee. “Isso acontece direto”. De acordo com João, Rita “tem e não tem” consciência de que é uma verdadeira estrela da música brasileira. “Eu também demorei a ter. Só a enxergava como pessoa e não como artista”. Atualmente, Rita, de 73 anos, se trata de um câncer de pulmão. Segundo João e Samora, ela se recupera bem. Quando a exposição foi montada, fez apenas uma colocação. “A única exigência dela foi a de que as pessoas saíssem felizes daqui”, diz Samora. (Estadão Conteúdo) Curiosidades Em exposição estão a blusa e a calça que Rita usou na capa do LP de 1980, o que tem Lança Perfume, e no especial Grandes Nomes, da TV Globo. Elis Regina gostou tanto do modelo que pediu para fazer um parecido para seu derradeiro show, em 1981. A mostra traz ainda o piano de quase 100 anos que pertenceu à mãe de Rita, Chesa. Nele, a cantora compôs Coisas da Vida. Foi a peça que ela mais relutou em ceder para a mostra. O figurino que a cantora usou na turnê Refestança, que fez ao lado de Gilberto Gil, em 1977. Os dois haviam acabado de sair da prisão. A peça, impecavelmente conservada, foi costurada por Chesa. O álbum de figurinhas de Peter Pan, dos anos 1950, que a própria Rita cortou e colou cuidadosamente. Tanto tempo depois, é possível ver o capricho com o qual ela completou o livrinho. A cara dela. Há objetos da casa de Rita. Muitos ficam em seu altar particular, como é o caso de um boneco do Dr. Spock. Entre as relíquias, um quadro pintado pela atriz Elvira Pagã. Em uma ala da exposição, que é dedicada ao amor de Rita e Roberto, há uma letra inédita, Prometida, vetada pela censura na época. Composta antes de Mania de Você, era para ser a primeira canção sensual do casal.