[[legacy_image_138168]] Há 70 anos, quando a Semana de Arte Moderna de 1922 chegava aos 30, perguntaram a Manuel Bandeira se havia motivos para comemorar. “Francamente, não”, respondeu o poeta. E recomendou que se esperasse o centenário. Caso alguém ainda se lembrasse dela, aí, sim, valeria a pena celebrar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A exposição Brasilidade Pós-Modernismo, em cartaz até março no Centro Cultural Banco do Brasil, na Capital, é uma prova da vitalidade do movimento modernista e como ele deixou marcas profundas – para o bem e para o mal – na cultura brasileira. Com curadoria de Teresa Arruda, a exposição recebeu 25 mil visitantes no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio. A mostra traz 130 obras de 51 artistas, todos herdeiros do legado da Semana, como defende a curadora Teresa Arruda. “Há três anos, quando comecei a organizar a mostra, pensava se as propostas modernistas de um século atrás ainda continuavam em pauta, concluindo que o modernismo influenciou, de fato, questões que ainda hoje são discutidas, como identidade e cultura popular”. O projeto da exposição, segundo a curadora Teresa Arruda, teve como princípio reunir obras que traduzissem a diversidade de um Brasil miscigenado, cruzando o regional e o cosmopolita, o popular e o erudito. Desse modo, há na mostra tanto artistas de etnia indígena – o consagrado Jaider Esbell, morto em novembro, aos 42 anos – como descendentes de africanos – a veterana Rosana Paulino, de 54 anos, educadora e doutora em artes visuais, cuja obra tem como foco o racismo e a posição da mulher negra na sociedade brasileira, também uma preocupação da modernista de primeira hora Tarsila do Amaral. “A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um evento relativamente fechado”, afirma Teresa Arruda, classificando-a como uma manifestação elitista. “O Brasil estava dividido entre uma região de economia promissora, berço da Semana de 22, e o sertão, desconhecido e desprezado”, resume. “Cem anos após a Semana de 22 e do bicentenário da Independência do Brasil, este é o momento de rever tudo o que nos foi ensinado”. Inclusive o mito de um país de vocação moderna e construtiva. “Veja, em 1922, enquanto a Semana estava sendo realizada no Brasil, na Alemanha, a Bauhaus, símbolo da modernidade, já não era o parâmetro dos modernistas brasileiros, que buscavam um caminho fora do eurocentrismo, como a Índia, um caso muito parecido”. Exemplo dessa ‘desilusão’ modernista é uma obra do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). O criador de Brasília, ícone da modernidade no País, pinta a capital travestida de ruína, como um edifício do documentário Arquitetura da Destruição (1989), do sueco Peter Cohen, em que o cineasta afirma que os arquitetos do Terceiro Reich projetavam prédios pensados como belas ruínas no futuro, seguindo o exemplo grego. Vale lembrar, Niemeyer estava exilado em Paris por causa da ditadura quando fez a obra (Estadão Conteúdo). Serviço: Brasilidade Pós-Modernismo CCBB-SP. Rua Álvares Penteado, 112, tel. (11) 4297-0600. Aberto todos os dias, 9h/19h, exceto às terças. Ingressos: app ou site Eventim. Gratuito. Até 7 de março.