[[legacy_image_63919]] O amor e o respeito são as únicas ferramentas capazes de desconstruir preconceitos. Por isso, a professora de inglês e ativista Jacqueline Rocha Côrtes emprestou sua história de vida para a construção do documentário Meu Nome É Jacque (2016), dirigido por Angela Zoé e exibido na edição especial do Santos Film Fest na última semana. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Refletindo sobre a obra, Jacque explica como um passo corajoso em direção à própria verdade foi capaz de ajudar várias outras mulheres e homens trans do Brasil e do mundo, inspirando uma mensagem de afeto e acolhimento impossível de ignorar. “São questões humanas. A maior mensagem é o amor, a empatia”, diz a protagonista. No filme, Jacqueline abre as portas de sua casa e mostra um dia na vida de uma mulher trans, redesignada e soropositiva. Abordando nuances como maternidade, adoção e racismo, a película atravessa diferentes conversas com uma abordagem sincera e representativa. “O filme dá um 'levante' em muitas mulheres, não somente trans, mas também das mulheres cisgênero, por mostrar que todas nós somos donas do nosso corpo, da nossa vontade, do nosso desejo e da nossa vida”. Em uma sociedade que resiste às diferenças, o longa desafia o lugar comum, trazendo uma naturalidade que aproxima o espectador da trama e gera identificação. “O longa é bem espontâneo, e é isso que chama muita atenção. Eu recebi milhares de mensagens de pessoas até então desconhecidas, que se tornaram amigas digitais. Cada coisa tão linda! A minha satisfação não é um envaidecimento: não me tornei atriz, não ganhei dinheiro com esse filme (risos), não é uma questão comercial; é uma questão social. Fico feliz e grata por isso, pois deixa um rastro de toda a minha trajetória, que não é tão inusitada assim; é uma trajetória universal, de muitas mulheres trans, travestis, homens trans, pessoas que vivem com HIV, LGBTs, de muitas famílias. Quanto mais a gente dialoga nessas questões, mais a gente contribui para reflexões”. Algumas cenas impactaram na vida de Jacque. Entre elas, destaca a primeira vez que visitou o túmulo dos pais, falecidos no começo dos anos 2000, que foi registrada pelas câmeras. “A dor era muito grande. Eu fui visitá-los pela primeira vez no cemitério e chorei muito”, recorda Jacque, com a voz embargada. Cheio de emoções e uma visão humanizada da realidade feminina, Meu Nome É Jacque está disponível para exibição no Globoplay.