Vencedor do 1º Concurso Jovens Pianistas, da Pinacoteca Benedicto Calixto, Gabriel Nunes só enxerga sua vida à frente de um piano (Vanessa Rodrigues/ AT) Muitos dizem que a vida vai como que por música para descrever a boa sorte ou o sabor de uma conquista. No caso do menino Gabriel Nunes, vencedor do Concurso Jovens Pianistas, organizado pela Pinacoteca Benedicto Calixto, cuja primeira edição foi encerrada domingo, a frase é literal: é pela música que as conquistas vão se avolumando; quanto à sorte, é apenas um detalhe. “Estou muito feliz. Foi um dia espetacular”, celebra o garoto ao recordar a tarde vitoriosa na Pinacoteca. Mas apesar de ter apenas 11 anos, o caminho até esse prêmio já é longo: tem mais da metade de sua vida. O piano entrou no seu radar por influência do avô paterno, Guilherme, hoje com 89, e do pai, Fabiano. “Ele tocava de ouvido, inventava músicas (o avô). E meu pai tinha aulas. Quando ele estava tocando Fur Elise (Beethoven), gostei”. Gostou tanto que foi procurar detalhes na internet. Achou uma partitura digital. Conseguiu ler e tocar e “me apaixonei”, como diz. Tinha 5 anos. “Se consegui ler Fur Elise, pensei: também vou conseguir com a Marcha Turca, de Mozart, que eu também gostava”. Nem precisa dizer: conseguiu. Futuro musical Gabriel está na 6ª série do Ensino Fundamental – e com a música a tiracolo: já ganhou prêmio de trilha sonora para espetáculo teatral na escola. Mas foi na pandemia que seu dom brilhou ainda mais. “Pediam para eu tocar antes de começarem as aulas on-line”. Com tudo isso, inevitável que respire música para toda a vida. “Quero ser intérprete, fazer concertos de piano e dar umas aulas”, planeja. E uma faculdade de música? Quem sabe ser maestro? “Pode ser, não tinha pensado nisso... boa ideia!”, responde, com o ar gracioso de toda criança. Mas para que o futuro chegue no compasso programado, será preciso vencer alguns obstáculos. E eles têm nome: Balada nº 1, de Chopin, e La Campanella, de Liszt e Paganini. “Ainda não consigo tocar. O ritmo é absurdamente rápido e a posição da mão, difícil. Não são para qualquer um”. Planos imediatos O futuro imediato aponta para a apresentação com a Orquestra Sinfônica Municipal de Santos (OSMS), um dos prêmios do Jovens Pianistas, em data a ser definida. Para o ano que vem, outros concursos, como o Edna Basseti Habith, em Curitiba, e o Souza Lima, na Capital, também estão na mira – já conhecidos de Gabriel (veja ao lado). “E o Jovens Pianistas volume dois”, enfatiza. Neste momento, concentra-se em renovar o repertório para as novas empreitadas. “Ele começou o estudo em clássico aos 8 anos, por isso tem dez músicas estudadas. Oito, ele apresentou nas quatro fases da Pinacoteca”, explica Andrea Nunes, sem esconder o orgulho que toda mãe carrega por seus filhos – Gabriel ainda tem um irmão, Eduardo, que também toca. Segundo ela, respira-se música em sua casa, mas tudo flui de maneira natural e, sobretudo, lúdica, especialmente para Gabriel. “É tudo muito orgânico. E a vontade dele é mais de apresentar o que estudou do que competir”. Um bom começo para ir muito longe. Raios x Gabriel Nunes já venceu o Concurso Souza Lima e foi convidado pelo maestro João Carlos Martins para abrir a temporada de 2023 da Orquestra Bachiana Filarmônica. Também ganhou o Concurso Edna Bassetti. O repertório apresentado na Pinacoteca foi Invention 8, de Bach; Impromptu Opus 90 nº 2, de Schubert; Sonata nº 6, de Mozart; Valsa do Minuto, Estudo Opus 25 nº 1, Valsa 14 e Fantaise Impromptu, todas de Chopin; Consolation nº 2, de Liszt; e Valsa de Esquina nº 3, de Mignone.