[[legacy_image_34603]] Com mais de 40 anos na estrada e 21 álbuns produzidos ao longo desse tempo, a cantora Marina Lima faz um movimento de relembrar sua trajetória e arquitetar os passos futuros na carreira. “É possível sempre se reinventar”, garante ela, em entrevista exclusiva para A Tribuna, no momento em que está lançando simultaneamente um livro que reúne sua obra completa, o songbook Marina Lima Música e Letra, e o EP Motim, com quatro músicas inéditas feitas durante a pandemia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O livro traz 175 músicas transcritas, com cifras dos arranjos, e está disponível gratuitamente para download no site marinalima.com.br. Estão presentes grandes sucessos como Fullgás, Pra Começar, Uma noite e meia, À Francesa e Charme do Mundo, indo do seu primeiro álbum, Simples como Fogo, de 1979, até o último, Novas Famílias, de 2018. “Volta e meia, alguém me ligava querendo fazer um songbook. Eu, mulher da música, modesta, sempre achava que era cedo para fazer esse apanhado da minha obra”, conta ela. “Mas, em 2019, me dei conta de que já tinha 21 discos. Não gosto de nada repetitivo, de ficar presa ao passando. Gosto do presente. Mas tinha uma obrigação, até acadêmica, de resgatar isso”, afirma. Para ajudá-la, chamou o violonista Giovanni Bizzotto, músico e parceiro que a acompanha desde a década de 1990. “Foram quase dois anos de um trabalho do cão, e quando tudo estava quase pronto, veio a pandemia. Eu fiquei sem horizonte, sem saber o que fazer”, lembra a cantora. [[legacy_image_34604]] Período de aprendizado A solução para o tempo de isolamento foi mergulhar na música. “Era o que eu podia fazer. Já tinha uma boa formação de música, com violão clássico, ler partitura, mas voltei a estudar violão, fazer exercícios técnicos e aprender a linguagem de computador. E fiz disso uma nova mistura. Eu tive a sorte de me dedicar à música e não fazer uma cova e me enterrar neste período”. O resultado está nas quatro canções que estão sendo lançadas agora. Produzido por Marina Lima e Alex Fonseca (com quem a cantora divide a autoria de uma das canções), o EP conta com parcerias com Alvin L. (vocal também em Kilimanjaro) e Giovanni Bizzotto. Como convidado especial, Mano Brown participa na faixa Nóis. O trabalho pode ser ouvido em diversas plataformas. Motim também marca uma mudança na forma da artista lançar músicas. Ela abre mão de trabalhar exclusivamente com álbuns e passa a vislumbrar uma maior liberdade artística. “Passo a pensar em projetos especiais, como EPs, trilhas sonoras, singles... Quem sabe até mesmo desenvolver um trabalho colaborativo que não tenha nem sequer o meu nome? Esses novos horizontes me interessam”, aponta ela. Elo Rio-Santos A ligação da cantora com Santos vem de longe. “Fui muito a Santos no início dos anos 80. Era uma cidade que me lembrava muito o Rio de Janeiro, era muito familiar aos bairros do Rio, como Ipanema, onde nasci. Aí, ficava hospedada a uns dois quarteirões da praia e, como no Rio, tudo gira em torno da praia”, conta ela, cuja primeira empresária e namorada era a santista Marcia Alvarez. Marina lembra que naquela época era comum vir várias vezes para a Cidade fazer shows, que sempre lotavam. “Marcava um show em São Paulo e, pela proximidade, agendava em Santos. Muitas vezes, Lobão ia tocar também e o Júlio Barroso (compositor, cantor, fundador do grupo Gang 90 e as Absurdetes) ia assistir. Fazíamos uma caravana. Era uma época muito boa”. Ela agora torce pelo fim da pandemia, para que possa voltar a fazer turnês e visitar novamente Santos. E essa ligação de Marina com a Baixada Santista continua presente no atual trabalho da cantora, que conta com ajuda de um santista na elaboração. O jornalista e professor universitário Renato Gonçalvez faz parte da equipe que ajudou Marina a fazero songbook e o EP Motim. “Nada é um ato isolado e nem acontece por acaso. Essa afinidade que tenho com ele vem, com certeza, dessa ligação que tenho entre Santos e Rio. Foi um amigo que fiz pela internet, pelo Twitter. É um cara com um conhecimento muito vasto, que me ajuda muito”, conta Marina. Gonçalves ficou mais próximo da cantora quando escolheu o álbum Fullgás para ser tema de sua tese de mestrado. Agora, ele concebeu, junto com o fotógrafo Candé Salles, um pacote de audiovisual para o novo EP. O santista assina ainda o projeto gráfico da capa do EP e do livro, além de escrever a introdução e a revisão da obra.