[[legacy_image_85207]] No ímpeto de reviver uma história real de maneira ficcional, o longa Ana. Sem Título, de Lucia Murat, é um exemplo da experimentação de cinema híbrido, viajando entre documentário e ficção nas histórias de mulheres que viveram escondidas durante a ditadura militar. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O filme é estrelado por Stella Rabello, uma atriz brasileira que decide investigar a troca de cartas entre artistas plásticas latino-americanas nos anos 1970 e 1980. Ela embarca em uma viagem para Cuba, México, Argentina e Chile à procura de trabalhos e depoimentos dessas mulheres, que viveram durante as ditaduras enfrentadas por esses países. Em meio à sua investigação, descobre uma jovem brasileira desaparecida — Ana, que sumiu em 1968. Nessa jornada, ela descobre muito mais sobre a personagem do que esperava encontrar. A conexão entre duas épocas e suas trágicas similaridades exalta um sinal de alerta ao espectador. Nesse drama poético, a narrativa nos aproxima de um contexto histórico que parece muito mais próximo do que imaginávamos, além de refletir também o distanciamento consciente que fazemos de questões sociais e movimentos políticos efervescentes no país. Temas latentes como o acolhimento presente na resistência artística são abordados, culminando num desfecho sensível, mesmo que previsível, do passado de sua misteriosa protagonista. O clima investigativo, que mostra a trajetória de uma artista transgressora que considera a revolução como parte constituinte de seu ser, retoma o fôlego ao nos escancarar reflexões concretas sobre a sociedade atual. Em uma jornada pela cultura latina, que atravessa várias lutas contra repressão, o destaque está na força da mulher negra e em seu protagonismo apagado das grandes revoluções, uma realidade que segue omitindo os nomes de muitas ativistas, artistas e trabalhadoras da vida real que tentaram promover mudanças. Vale ressaltar a força da mulher na narrativa de Murat, que mais uma vez evidencia a importância do protagonismo feminino para um cinema plural e diplomático. Em essência, Ana. Sem Título fala em resistência cultural ativa e contínua, incentivando um olhar mais rigoroso sobre os conflitos do passado em função de um futuro mais justo e igualitário.