[[legacy_image_107131]] Em meio às faces do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), a do paciente se revela no livro Da cor da dor, do dramaturgo e autor Roberto Massoni, de 62 anos. Convivendo com nuances de mania e depressão há mais de 40 anos, Massoni escreveu um “manual prático do bipolar”, que se mistura com a sua história de vida e seu latente amor pela arte. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “O que me deixa lúcido é a arte. Se não fosse por ela, eu não aguentaria”, ressalta o artista que, apesar de ter nascido em São Paulo, marca presença na cena teatral da Baixada Santista. Massoni também escreve livros desde a adolescência e fez edições de “literatura marginal”, além dos dez livros impressos e publicados. O intuito de Da cor da dor, segundo ele, é de, primeiramente, auxiliar quem convive com pessoas que possuem TAB. “A euforia e a depressão se manifestam de várias maneiras e podem ser perigosas. Acontece muito de as famílias ficarem completamente perdidas e não saberem lidar com a doença, pensando ser uma brincadeira ou presumir ser uso de drogas”, explica. Com isso, Massoni acredita que um livro contando sobre o transtorno a partir da “versão do paciente”, como o dele, aproxima os familiares do assunto e também pode auxiliar as pessoas que estão passando pelo TAB. Não criando “receitas prontas”, mas partindo do individual para se aprofundar nas singularidades e nuances do ser. Então, em busca de estabelecer este diálogo com sensibilidade, em 118 páginas o livro Da cor da dor alterna entre contos e poemas com textos dispostos em longos parágrafos. A narrativa, que no geral se assemelha a uma conversa entre bons amigos, discorre sobre todas as fases da manifestação do TAB na vida de Massoni. Além disso, também há partes com explicações técnicas sobre a bipolaridade. DesafiosParalelamente, o processo de criação desta obra foi desafiador para o autor, que diz ter se colocado por inteiro no livro, sem medo. “Conto desde minha sexualidade, que começou dentro de uma clínica psiquiátrica, até meus procedimentos de tratamentos que envolveram maus-tratos”. Ele revela que ainda não conseguiu reler o livro depois de finalizado, por relembrar de coisas que passou e que ainda mexem com ele. “O primeiro beijo na boca, o primeiro amor, o sexo pela primeira vez - o primeiro surto: a gente não esquece jamais”, descreve ele, nas primeiras páginas do livro. Em seu caso foi o trauma da morte de seu pai, de forma trágica, que despertou “o monstro adormecido” em si, como descreve. “Até hoje frequento psiquiatras, tomo remédios. É uma pena que tudo isso seja muito caro e o tratamento público da saúde mental não seja da melhor qualidade”, desabafa.