[[legacy_image_264587]] O acaso une as partes, inclui elementos imponderáveis, cria relações insuspeitas. O resultado é Gaia Gaia, um EP com quatro canções e cinco faixas, o mais novo trabalho do músico e jornalista Julinho Bittencourt, lançado hoje nas plataformas digitais. “Não foi planejado que faria um EP. Tinha gravadas seis músicas e as coisas foram acontecendo”, conta ele, que também é crítico musical de A Tribuna. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! As canções tiveram na produção o auxílio luxuoso de André Abujamra – uma das casualidades do destino. “Eu fiz uma entrevista com ele, acabei comentando das músicas, que gostaria de ser produzido por ele. E ele topou”. Das quatro músicas, apenas Não Gosto de Fascista foi inteiramente composta por Julinho, o resto com parceiros – uma marca do artista, que aprecia dividir as belezas e agruras do trabalho de compor. Assim, à letra de Padre Júlio, homenagem a Júlio Lancelotti e sua cruzada pelo bem-estar da população de rua, juntou-se a melodia do músico e compositor Marcos Canduta. Já em Gaia Gaia, um manifesto pela terra, a parceria foi com o jornalista e produtor cultural Rodrigo Savazoni. Como se percebe pelos títulos, o tema político predomina nas canções – à exceção da música A Lia. Composta em parceria com o jornalista Renato Rovai, é uma homenagem a uma amiga que enfrentava um câncer. “Ela estava em um quadro irreversível. Escrevi uma parte, mandei ao Rovai, ele devolveu no fim da tarde, a canção pronta. No mesmo dia, umas 22 horas, ele me ligou falando da morte”. O processoHá mais de 40 anos envolvido na música, centenas de composições e 50 canções gravadas, Julinho reconhece que seria inviável fazer esse EP, não fosse a tecnologia disponível. “Sempre gravei em um estúdio, com mais gente envolvida". Com Abujamra, o processo foi todo a distância: as canções, gravadas com voz e violão na sua casa, eram enviadas ao produtor, que depois as devolvia, retrabalhadas. Em A Lia, por exemplo, Abujamra acrescentou acordes suaves de piano e uma percussão de fundo, conferindo leveza e profundidade emocional ao acalanto. “O trabalho dele é muito bonito, a poesia é muito interessante e eu fiz com muito carinho, muito amor. Quero dizer que, para mim, é uma honra ter feito esse EP com ele”. ReconhecimentoPela primeira vez, Julinho lança um trabalho diretamente nas plataformas digitais. Os três anteriores saíram em vinil ou em CD. Mas a mesma tecnologia que facilita também complica. Para ele, com tantos lançamentos todos os dias, o funil mudou de perspectiva. “Ficou muito fácil gravar e difícil de ser ouvido. Antes, era difícil gravar e mais fácil de ser ouvido: você passava por um crivo da indústria e, ao ser aceito, havia uma estrutura para fazer a canção chegar às pessoas”. E é justamente esse o sonho de Julinho com o novo filho que acaba de nascer: reconhecimento. “Quero que as pessoas ouçam. Que não gostem, algumas, mas que ouçam!”.