[[legacy_image_200816]] Dizem que o medo desperta o nosso lado criativo. No caso da escritora e colunista de A Tribuna Vanessa Ratton, o medo junto com a incerteza da pandemia resultaram em seu mais novo livro, o Encontros à Hora Morta. Naquela época, no início do isolamento social, escrever sobre as lendas de Santos foi a válvula de escape – e tudo começou com uma notícia de jornal. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Quando li no jornal O Estado de Minas que um navio no Chile foi impedido de atracar no porto daquele país porque tinha passageiros com a doença, fiquei muito aflita com o que o medo pode fazer com as pessoas e comecei a história a partir daí”, explica a escritora. Encontros à Hora Morta faz uma viagem às lendas e crimes macabros de Santos. A história começa quando um jovem português, em um cruzeiro com a família, vem parar em Santos, a cidade mais próxima que permitiu o desembarque de doentes com covid, e encontra uma jovem que mora em Santos. Ele, de classe econômica abastada, e ela, filha de um zelador. Eles se conhecem em uma madrugada e seguem em um roteiro ‘turístico’ pela Cidade: o das lendas e dos crimes macabros. “Decidi escrever sobre nossa Cidade porque ela é histórica e muito rica de lendas de fantasmas. Minha avó me contava todas elas”, admite Vanessa. O livro traz lendas como a da Pedra da Feiticeira, do Fantasma do Paquetá, dos fantasmas do Teatro Municipal, da Pinacoteca e do Porto e da famosa Loira do Banheiro – lenda urbana comum nos anos 80, nas escolas. Encontros à Hora Morta também tem crimes macabros reais, como o de Maria Féa – conhecido como crime da mala –, do hambúrguer feito com carne humana num carrinho da praia, do navio Raul Soares, onde os presos políticos foram torturados durante a ditadura. “É uma mensagem para valorizarmos a vida. Nós, que conseguimos sobreviver a esta pandemia, devemos isso a todos os que partiram. É uma novela de realismo fantástico, gosto muito de trabalhar com esse gênero”. Acrescentando à história“Quando eu terminei o esboço do livro, dei para a escritora e amiga Maria Valéria Rezende ler e me dizer o que achava. Ela gostou, mas lembrou de alguns fantasmas que eu não conhecia e, então, falei ‘você vai colocá-los na história’, e ela aceitou o convite”. Como as duas são de Santos, a obra funciona como uma homenagem à Cidade. “A ideia inicial, o texto base, foi da Vanessa. Num segundo momento, eu acrescentei episódios que recuperam coisas que se contavam das lendas de Santos e resquícios da História, que ouvia bastante minha infância. E, assim, fomos entrelaçando nossas ‘memórias de ouvir dizer’ dentro de uma linha geral bem fantástica”, explica Maria Valéria. Maria Valéria Rezende nasceu e viveu em Santos até os 18 anos. Hoje, mora na Paraíba e já publicou mais de 20 livros, entre romances, contos, poesia e infantojuvenis. Ganhou vários prêmios literários, entre eles o Jabuti, em 2015, por Quarenta Dias.