[[legacy_image_33898]] Apesar de papel e tela parecerem antagonistas quando o assunto é literatura, o mundo digital tenta fazer a ponte entre leitores e livros com influenciadores literários – também conhecidos como booktubers, booktokers, bookgramers e booktt (que atuam respectivamente nas redes sociais YouTube, TikTok, Instagram e Twitter) – que têm o trabalho voltado para estimular o hábito da leitura em seus canais. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Às vésperas de se comemorar o Dia do Livro, na próxima sexta-feira, num momento em que se tramita uma reforma tributária que pode aumentar o preço dos livros e desestimular ainda mais a leitura, as novas gerações vêm achando uma outra direção para se encantar com as histórias, novas e de sempre. A escritora Goimar Dantas tem um capítulo dedicado a esses produtores de conteúdo em seu livro A Arte de Criar Leitores: Reflexões e Dicas para uma Mediação Eficaz (Editora Senac São Paulo). “Eles se apropriaram de um mecanismo super moderno para falar do patinho feio da indústria cultural (comparando com o produto cinema ou novela). É um trabalho importantíssimo qu essas pessoas fazem, na maioria das vezes, de graça. São os amigos do livro, que fazem a mediação de leitura para um público que está sedento de conhecimento”, explica ela, que para compor o livro, passou um ano estudando esses canais de conteúdo literário. Leveza Ela aponta que a comunicação com o público por esses canais é muito eficaz. “A leveza que os influenciadores digitais têm para passar o conteúdo falta muitas vezes aos acadêmicos”, avalia a autora, que afirma ainda que existe uma série de opções, com conteúdos diferenciados, que vão desde lançamentos, passando pelos clássicos, e que agradam a todos os leitores. Confira ao lado alguns dos canais indicados por Goimar. As editoras também estão de olho nesse filão de divulgação de seus produtos. A Intrínseca, por exemplo, é uma das pioneiras nessa prática. A parceria com os influenciadores começou ainda em 2008, com o lançamento dos livros da série Crepúsculo, de Stephenie Meyer. “Foi muito natural para a editora essa aproximação, não só para apoiar os eventos com livros para sorteio, materiais de divulgação e brindes, mas principalmente na criação dessa comunidade de apaixonados por livros”, conta a diretora de marketing da empresa, Heloiza Daou. A plataforma usada pelos produtores de conteúdo foi mudando com o tempo, indo dos blogs para canais no YouTube, Instagram e, mais recentemente, o Tik Tok. “Acreditamos que a indicação de um amigo, parente, colega de trabalho pode ser tão ou mais relevante para se escolher ler um livro quanto a opinião da crítica literária, por exemplo”, diz Heloiza, que confirma o crescimento da quantidade de criadores digitais no último ano, assim como o consumo das redes sociais para a literatura. Ausência regional Na Baixada Santista, ainda não há essa cultura do influencer exclusivo de literatura. “Há vários escritores que comentam livros, publicam livros ou resenhas em meios digitais, de forma esporádica, sem esse conceito de um canal dedicado a isso. É o meu caso e de outros como Marcelo Ariel, Alessandro Atanes, Manoel Herzog, Flávio Viegas Amoreira”, comenta o autor Ademir Demarchi. Longe do formato dos booktubers, o editor José Luiz Tahan mantém no YouTube o canal Vida de Livreiro, onde, além de falar de obras e apresentar os lançamentos, também se dedica a contar histórias dos mais de 30 anos da profissão.