[[legacy_image_26451]] O que você faria se cruzasse com um habitante da ilha de Corso na próxima esquina? Bem, se fosse um Amplexus, por exemplo, a dica é relaxar e deixar que ele coce as suas costas, já que ele tem dois braços justamente para isso: coçar as costas alheias. Já se for um Bipolarius Volubilis, cuidado: de temperamento instável, às vezes machuca os outros com seu chifre, em outras acaricia o incauto com sua cauda. Seja como for, não há como escapar desses e de outras dezenas de personagens similares no livro Criaturas da Ilha de Corso, escrito a seis mãos por Angela-Lago, José Roberto Torero e Pedro Hamdan das Pedras. Lançamento da Editora Moderna, como as boas ideias, o livro nasceu meio por acaso. “Fui a Minas, no sítio da Angela, gravar um episódio do Super Libris (programa sobre literatura veiculado na Sesc TV e internet). No final da entrevista, ela comentou que tinha um amigo (o Pedro, o terceiro autor), que havia criado uns bonequinhos com folhas, gravetos e massinha”, conta o santista Torero. “Ela perguntou se eu não queria dar uma olhada nos bichinhos e tentar escrever algo. Topei na hora”. Os três começaram a elaborar pequenos textos a partir da inspiração despertada pelos 'corsovinos'. As 'ferinhas' foram crescendo em número. “Era engraçado, foi muita diversão, mas havia a esperança distante de fazer um livro”. Em 2017, quando o material já estava formatado, sobreveio a fatalidade. Após uma cirurgia, Angela sofreu uma embolia e morreu, deixando um legado de dezenas de livros infantis. Bestiário A rigor, Criaturas da Ilha de Corso é um livro infantil. Mas inspirado nos chamados bestiários, populares na Idade Média, que descreviam animais míticos ou fantásticos. A partir deles, porém, se falava do mundo, da fé, do amor. Assim, além das duas criaturas já apresentadas na abertura desta matéria, temos também, por exemplo, o Carnaválio, com seu curioso ciclo semanal. Às quintas-feiras, lhe nasce uma frondosa cauda; às sextas, desfila todo prosa e feliz pela ilha, fazendo música e cantando. Agrupam-se em blocos e seguem dançando até quarta-feira, quando a cauda cai e o humor muda: os carnaválios entram em um torpor, parece que vão morrer. Mas a tristeza só dura até quinta, quando o ciclo recomeça. Diário Um sucesso virtual – e já também em livro – de Torero é o Diário do Bolso, que satiriza as idas e vindas do presidente Jair Bolsonaro – com ou sem Coronavírus. Com 23 mil seguidores nas redes sociais, a página em breve vai gerar mais um livro – o terceiro. “Deve sair em outubro, será em alusão aos 666 dias da besta”, brincao autor, referindo-se ao número de dias do Governo, a serem completados naquele mês. Além da forma mais sutil, e por isso mesmo ácida, de crítica, hoje em dia, o humor também tem um papel terapêutico para Torero. “A gente sempre escreve sobre algo que ama ou odeia. É um jeito de falar de algo que me incomoda”. Serviço Criaturas da Ilha de Corso Angela-Lago, José Roberto Torero e Pedro Hamdan das Pedras; Editora Moderna; 56 páginas Preço Sugerido: R\$ 50,00