[[legacy_image_326866]] “A história começa com um legado da tradição, que significa a transferência dos hábitos e lições do passado para o futuro. Registros do passado começam a ser mantidos em benefício das gerações futuras”. A frase, do historiador britânico Edward Hallett Carr, é uma das epígrafes do livro A Saga do Marechal do Samba J. Muniz Jr., de Jadir Muniz de Souza. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! De certa forma, descreve exatamente o que o livro é: sendo Jadir filho de J.Muniz, eis o legado do passado alcançando o futuro. A obra, que ao retratar a jornada do Marechal do Samba mergulha na história do próprio Carnaval santista, será lançada amanhã, às 19h30, no Teatro Guarany (Praça dos Andradas, 100). “É difícil fazer um trabalho com alguém assim, ligado a você, sendo tua mãe, teu pai. Rola um sentimento, uma energia”, avalia Jadir. “E o meu pai, como jornalista, queria ver tudo certinho, ‘é melhor ir por esse caminho, melhor ir por aquele’, ficava dizendo. Aí você fala: ‘peraí, quem está escrevendo o livro?”, sorri. O processo de criação do livro aproximou ainda mais o pai, de 90 anos, e o filho. de 62. Durante três meses, fosse em áudio ou vídeo, Jadir coletou memórias e depoimentos do pai – que também redigiu algumas lembranças. “Procurei ficar de fora do que é o pai, do que é o personagem do livro. Fui buscando extrair o melhor dele. Colocamos as histórias mais curiosas, mais tocantes, fosse na X-9, em São Paulo e, principalmente, no Rio de Janeiro”. Imersão no sambaO samba nasceu e se criou em J, Muniz Jr. Em 1955, iniciou a saga na Pioneiríssima X-9 na seção de ritmistas, tocando tamborim, surdo, tarol, agogô, chocalho e reco-reco – até chegar à cuíca, instrumento que fez os olhos de seus pares recaírem sobre ele. Um ano depois, aos 22, assumiu a responsabilidade de escrever o samba enredo com o qual a X-9 desfilaria. Não parou mais. Além de abraçar a avenida com ardor, foi um difusor do samba e do Carnaval santistas na imprensa, como jornalista – quando os intercâmbios com o Rio de Janeiro, a meca do Carnaval, se intensificaram, nos anos 60. Ao ponto de Cartola, ao se casar com dona Zica, em 1964, passar a lua de mel em Santos. Detalhe: na casa de J. Muniz, que se mudou provisoriamente com a família para a casa da sogra, a fim de dar privacidade ao casal número 1 da Mangueira. Do jornalismo aos livros sobre samba e cultura afro-brasileira foi um pulo. Com a X-9 na retaguarda de uma vida inteira – chegou a ser relações-públicas da escola, respirava samba e cultura afro-brasileira de tal forma que recebeu das mãos do então prefeito de Santos, Oswaldo Justo, em 1986, a faixa oficializando o título de Marechal do Samba.