[[legacy_image_64308]] Se a representatividade feminina nas telonas sempre foi negligenciada nos cinemas, imagine como fica este cenário em gêneros fílmicos considerados masculinos. É o caso dos filmes de super-herói, um nicho derivado das histórias em quadrinhos que tem sido uma das maiores apostas para blockbusters de sucesso em Hollywood. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Para investigar como se deu a inserção feminina nesse segmento e sua representação, a historiadora Lilliam Tavares estudou sobre filmes de heróis e suas relações com questões de gênero. A pesquisadora realizou uma palestra sobre o tema no domingo, durante a programação do Santos Film Festival, e fez suas considerações sobre as mudanças ocorridas na indústria. Para ela, o lançamento de Mulher-Maravilha (2017), dirigido por Patty Jenkins, foi um divisor de águas. “Era a primeira vez que tínhamos um filme do gênero protagonizado e dirigido por uma mulher, algo que só reforçou a importância de termos filmes estrelados e produzidos/dirigidos por mulheres. Foi diferente de tudo que havia sido criado até então, evidenciando como precisamos de mais histórias contadas a partir de outras perspectivas; neste caso, a feminina”. Produtoras chave Tanto a Marvel como a DC Comics são produtoras chave na transição dos quadrinhos para a telona, resgatando e criando novas heroínas para atender essa lacuna. Com o sucesso de Mulher-Maravilha, a concorrente começou a realizar os próprios filmes solo de heroínas. “O sucesso de Mulher-Maravilha possibilitou que produções como Capitã Marvel ganhassem as telonas. Com isso, vemos uma mudança de perspectiva, onde as personagens femininas passam a ocupar espaços de protagonismo e ganham novas formas de representação, com personalidades e perspectivas diferentes. Mulheres são diversas na vida real, então, isso pode e deve ser apresentado nas produções cinematográficas”. Segundo a pesquisadora, em um recorte de 55 anos de filmes de heróis, contando a partir do lançamento do Batman: The Movie de 1966, o gênero só teve oito filmes protagonizados por mulheres. Essa disparidade tende a reduzir, considerando, por exemplo, o sucesso de bilheteria da franquia atual de Mulher-Maravilha. Porém, é importante seguir atento a como essa representação é feita. “Por muito tempo, essa representação veio carregada de estereótipos. Filmes como Mulher-Gato (2004) e Elektra (2005), onde hipersexualizaram suas protagonistas, algo que reforçava a ideia da mulher como objeto de desejo, sem qualquer aprofundamento em suas histórias. Com a criação do Universo Cinematográfico da Marvel, passamos a ver outras personagens femininas nas telonas, mas que ainda ocupavam postos de coadjuvantes”, pondera Lilliam. Além da objetificação dos corpos femininos, essa “secundarização” em sempre colocar a personagem feminina como coadjuvante também é uma tendência da visão hegemônica, que é masculina, heterossexual e branca. “A representação feminina parte de um único olhar, a fim de agradar um público com as mesmas características. Desta forma, víamos mulheres em posições impossíveis, com roupas minúsculas, o que só reforçava a ideia da mulher como objeto de desejo ou como ‘ponte’ para a história do personagem principal, o homem”. Felizmente, algumas mudanças positivas vêm acontecendo, com mudanças de perspectiva.