Eles entram na avenida, com todos os olhos do público voltados para suas evoluções, coreografia, entrosamento, postura e simpatia. Mas muito mais que a agradar a plateia, o mestre-sala e a porta-bandeira carregam a responsabilidade de representar a escola de samba a qual pertencem, sendo avaliados pelos jurados do desfile e colaborando para o resultado final da agremiação. Para contar um pouco da história desta função tradicional do Carnaval, Jadir Muniz de Souza fez uma grande pesquisa do carnaval, com definições, conceitos e toda a parte técnica e reuniu todas as informações no livro "Mestre-sala e Porta-bandeira – Uma reverência à Nobreza do Samba". “O livro é importante para todas as pessoas que querem aprender sobre a história do casal de mestre-sala e porta-bandeira, além de ser um legado dos grandes personagens que ocuparam essa função”, explica o autor. Para compor o livro, que foi um dos projetos contemplados pelo 7º Concurso de apoio a projetos culturais independentes de Santos pelo Fundo de Assistência à Cultura (Facult), além de pesquisas em livros, Souza se dedicou a entrevistar vários representantes do samba. Como resultado, a publicação traz a origem das funções, que foram inspiradas nas tradições da realeza o Brasil Colonial, e que surgiram nos ranchos carnavalescos do Rio de Janeiro; passando pelos desfiles de São Paulo, cujas figuras já compunham as escolas de samba nos anos 1950, e Santos. Por aqui, o julgamento do quesito mestre-sala e porta-bandeira no Carnaval começou em 1967, mas em registro encontrados por Souza, dos carnavais de 1956 e 1957, a escola de samba X-9 desfilou com o casal Dulce e Muniz Jr. O livro ainda resgata os nomes que foram destaque levando o estandarte das escolas de samba, como Nahum Caetano, "O Magnífico", e Lídia, "A Majestosa". As regras e toda a simbologia do casal e do pavilhão da escola de samba também estão presentes na obra. Vida dedicada ao samba Incentivado pelo pai, o historiador e pesquisador J. Muniz Jr, conhecido como "Marechal do Samba", Souza começou como passista-mirim da Escola de Samba X-9, em 1966, e, dois anos depois, passou a desfilar como mestre-sala mirim, uma espécie de aprendiz. A partir de 1981, ele recebeu o bastão simbólico do mestre-sala Nahum e ocupou a função por 16 anos consecutivos, sendo 15 deles na X-9. No início de sua trajetória, nos anos 1980, ele recebeu o título de "Lord" do Rei Momo Waldemar Esteves da Cunha. Depois, ele foi consagrado como "Príncipe dos Mestres-salas" pelo sambista e Rei Momo Dráuzio da Cruz. O livro não está sendo comercializado em livrarias. Quem quiser uma edição, deve entrar em contato com o autor pelo email jmunizsol@uol.com.br.