[[legacy_image_118872]] Em 2013, foi aprovado na Câmara Federal, por meio da Comissão de Educação e Cultura, o projeto de lei 2.479-A, que institui o Dia do Saci. Comemorada em 31 de outubro, a data foi pensada para valorizar a cultura e as tradições nacionais. A proposta surgiu em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba paulista, quando um grupo de apaixonados por sacis criou a Sociedade dos Observadores de Saci (Sosaci). Posteriormente, o projeto foi adaptado por vereadores e aprovado pela Câmara Municipal como um marco cultural. A escolha do dia é proposital. Averso aos rituais celtas que originaram o Halloween — que na época, era celebrado há apenas 20 anos no Brasil —, o grupo resolveu reagir à manifestação ‘forasteira’ e incentivar a tradição nacional. Alvo de polêmicas, a data não foi tão difundida quanto a celebração internacional, porém, não deixa de ter sua importância para manter viva a difusão de tradições típicas entre as novas gerações. Dia do Saci x HalloweenÉ sabido que grande parte da cultura pop e entretenimento brasileiros bebem da fonte estadunidense. A maior parte da bilheteria no País é de filmes dos EUA, e vários formatos televisivos, vertentes musicais e eventos brasileiros foram influenciados diretamente pela cultura norte-americana. Portanto, retomamos a questão: por que a comemoração do Dia das Bruxas é invalidada em um dos países que mais consomem, incorporam e reproduzem a cultura estadunidense no mundo? Acreditava-se que em 31 de outubro, à meia-noite, os espíritos dos mortos voltavam à Terra. A mística acabou incorporada pela Igreja Católica, tornando o dia 1º de novembro no Dia de Todos os Santos e o dia 2, Finados. Essa associação tornou mais prática a difusão do Halloween, que, mesmo com uma estética pagã, assumiu outros significados. Além do lado espiritual, o Halloween carrega um formato festivo mais vendável, tornando-se uma data comercial útil no mercado brasileiro. A festa já está relacionada na programação de eventos em bares, restaurantes e casas noturnas, estimula festas à fantasia e virou tema de aniversários e comemorações. Com seus doces, fantasias, brinquedos e decorações, a festa de Dia das Bruxas ganhou espaço no Brasil e marca temporada nas lojas, movimentando o comércio. OrigemOs primeiros relatos do Saci vêm do século 19, com uma origem diversa, que bebeu de várias fontes culturais para construir seu personagem da forma como o caracterizamos hoje. Inicialmente, a história remete ao ente lendário do folclore tupi-guarani — o Yaci-yaterê. Nela, o Saci era um deus da floresta no corpo de curumim (menino indígena), responsável por proteger a mata e ajudar aqueles que se perdiam. Historiadores acreditam que durante o período da escravidão brasileira, as mulheres escravas transformaram o Saci indígena em Saci negro, guerreiro, para compor histórias infantis. Nesse cenário, o menino perdeu uma perna lutando capoeira, e fumava uma espécie de cachimbo que nunca lhe saía da boca. A herança muçulmana dos escravos atribuiu uma mística similar à de Aladim, ícone dos contos árabes: uma vez preso na garrafa, o Saci é forçado a conceder desejos em troca de sua liberdade. As lendas de duendes europeus, em especial em histórias portuguesas, como a do Fradinho, colocaram no Saci o gorrinho vermelho e a personalidade travessa, derivadas de uma concepção colona sobre os escravos. Observando um plano mais amplo, percebemos que a história carrega tantas referências que é impossível rastrear a fonte inicial ou a primordial do mito. Porém, uma coisa é certa: a lenda do Saci-pererê é uma clara demonstração da influência da miscigenação no Brasil, formando uma memória coletiva e imaginário típicos do personagem. O que é o saci?No meio da floresta, mora um menino negro de uma perna só, que surge de repente com sua carapuça vermelha mágica e fumando um cachimbo. Ele aproveita seu tempo livre divertindo-se na floresta, fazendo brincadeiras com os animais e as pessoas. Além de travessuras, o Saci também protege a mata, garantindo que todos fiquem seguros — ele é um guardião ávido de ervas e plantas, conhecendo suas técnicas de preparo e sabendo como utilizá-las para fins medicinais. Para capturar o Saci, deve-se posicionar uma peneira bem nos redemoinhos de vento. Após capturá-lo, é necessário retirar-lhe o gorrinho vermelho e, assim, prendê-lo em uma garrafa. Para escapar, o Saci pode conceder desejos ao seu salvador.