[[legacy_image_81107]] Um robô retorna do futuro para eliminar a mãe do herói, e depois o próprio herói, ainda adolescente, que vai liderar uma rebelião contra o sistema que domina um arsenal nuclear e produz máquinas assassinas que voltam para o passado para eliminar inimigos. Máquinas moldadas, ao que tudo indica, a partir de um catálogo de concurso de halterofilismo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Parece o tipo de enredo que se vê em produções vagabundas, dessas que passam de madrugada no Syfy Chanel. E os dois primeiros filmes da franquia ‘Exterminador do Futuro’ são exatamente isso, filmes B. Mas com uma diferença. Ambos são criações do diretor James Cameron, que se não é, exatamente, um ‘auteur’, sabe realizar sequências de ação inteligentes, com o máximo de tecnologia disponível. Se Steven Spielberg inventou o ‘blockbuster’ de verão com ‘Tubarão’ (1975), Cameron lançou o conceito de ‘blockbuster high-tech’ que passou a dominar o cinema com ‘O Exterminador do Futuro 2’, lançado em julho de 1991. Filmes de ficção científica já vinham avançando nos efeitos especiais de ponta pelo menos desde ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ (1968), mas para criar o Terminator Modelo T-1000, um robô de metal líquido, foi preciso inovar ainda mais na direção dos efeitos digitais. Sem esse pontapé inicial, os heróis da Marvel continuariam personagens de quadrinhos, e só. Mas também, sem o personagem do Terminator, um outro fenômeno cinematográfico talvez não acontecesse. Mesmo tendo chegado ao estrelato como Conan, o Bárbaro, foi na pele sintética do Modelo 101, o anti-herói cyberpunk por definição, que Arnold Schwarzenegger passou à condição de ícone cultural. Não era só a imposição física. O ex-Mister Universo era uma figura carismática, capaz de assegurar o papel de protagonista em vários dos principais filmes de ação com ficção científica dos anos 80. Cameron foi o primeiro a reconhecer esse potencial, e usou o ator na versão original de ‘O Exterminador do Futuro’ (1984), que se tornou um dos ‘cult movies’ favoritos da década, apesar de todas as limitações técnicas e de orçamento. O longa de estreia do diretor de ‘Titanic’ e ‘Avatar’ foi nada menos que o ‘trash’ ‘Piranhas 2: Assassinas Voadoras’ (1982). ‘O Exterminador do Futuro’, que veio em seguida, poderia ter sido mais um filme condenado à obscuridade, não fosse o inegável talento do diretor para alcançar resultados ambiciosos, muito antes de ter condições para isso. Cameron introduziu, no primeiro filme, a figura célebre, e impressionante para a época, do implacável exoesqueleto de metal que perseguia Sarah Connor. No ‘Exterminador 2’, o robô assume uma forma ainda mais ameaçadora, e em termos tecnológicos, de uma complexidade inédita no cinema, já que o software necessário para que ele existisse teve de ser desenvolvido para o filme, ao custo de alguns milhões de dólares. Na verdade, o robô que assume qualquer forma foi a grande aposta de James Cameron, que elevou à estratosfera (em valores de 1991) o custo do filme, mas fez com que ele batesse recordes de bilheteria, com um faturamento mais de cinco vezes superior ao seu orçamento de US\$ 100 milhões. Dois anos depois, o sucesso igualmente monumental de ‘Jurassic Park’ (1993), de Steven Spielberg, consolidava o início da era dos efeitos digitais no cinema, que se estende até hoje. Longe de exterminar o futuro, James Cameron deu início a ele. Claro que inovações tecnológicas ajudam, mas não bastam para fazer com que um filme vá além do sucesso comercial. Cameron não conseguiu o mesmo feito com ‘Avatar’ (2009), porque tinha a oferecer bem pouco, além da tecnologia 3D. O ‘Exterminador 2’ é um raro caso de sequência equiparável ao primeiro exemplar, e que deveria ter sido também a última. Trinta anos depois, passou da hora de dar “hasta la vista, baby” à franquia que ‘O Exterminador do Futuro’ nunca deveria ter sido.