[[legacy_image_4437]] Grazi Massafera sabe que Paloma, sua personagem em Bom Sucesso, é uma representante das mulheres que chefiam suas casas sozinhas. Na novela das 19h da Globo, ela é a mãe batalhadora de Alice (Bruna Inocêncio), Gabriela (Giovanna Coimbra) e Peter (João Bravo). E se deparou com a notícia de que teria apenas seis meses de vida, mas tudo não passou de um erro do laboratório, que trocou o resultado do seu exame com o do empresário Alberto (Antonio Fagundes). Desesperada, viveu intensamente enquanto acreditou que estava à beira da morte, cometendo algumas loucuras. Como ligar para o ex, Ramon (David Junior), que voltou dos Estados Unidos para tentar recuperar o amor da costureira. Além disso, a mocinha se envolveu com Marcos (Romulo Estrela), que se apaixonou por ela e, agora, quer lutar por esse sentimento. Descoberto o mal-entendido do diagnóstico, Paloma decide procurar Alberto e, imediatamente, nasce uma amizade que mudará o destino de ambos. Na entrevista a seguir, a atriz de 37 anos fala sobre o triângulo amoroso que vive na trama e como ser mãe de adolescentes na ficção é diferente de sua experiência real. Além disso, Grazi assume que não se sente preparada para a fase da adolescência de Sofia, sua filha, que ainda tem 7 anos. Ela ainda revela se tem medo da morte e qual é a sua relação com os livros. O que existe de parecido entre a Paloma de Bom Sucesso e você? Essa sagacidade, a coisa popular, que é o que eu fui durante muito tempo. Agora, não mais, pois vivo como atriz, dando entrevistas, saí um pouco desse lugar. Mas tem a simplicidade, um resgate. Estou amando esse lado mais espontâneo, é muito gostoso, uma homenagem a todas as mães que criam seus filhos sozinhas. A gente está em um momento tão bonito de personagens interessantes, de poder retratar um pouco dessas mulheres. Profissionalmente, me sinto mais madura para isso. Paloma fica dividida entre Ramon e Marcos. Qual a diferença desses dois amores? O Marcos mexe com ela. Acho que todo mundo já teve aquela pessoa que, quando está no ambiente, você se sente estranha. Já o Ramon é um amor quase de infância e adolescência que se desgastou. Mas, ao mesmo tempo, eles têm uma filha, existe aquela raiz. Isso é legal, né? Tem aí a contradição e o conflito. Você tem o costume de se colocar no lugar das personagens? Sim, eu me coloco no lugar dela todo dia, muito mais no dela do que no meu (risos). Brinco que sou uma prisioneira de tanto que gravo, mas é prazeroso. A novela tem muito drama, mas também a pitada de humor, de leveza. Sei que o negócio de protagonista é sofrer do início ao fim, então vamos lá sofrer! Vamos enganar o organismo com os sentimentos! Se eu recebesse a notícia de que só teria seis meses, faria algo parecido com o que Paloma fez. Ia tentar viver intensamente esse tempo, viajar com a minha filha, comer, beber, abraçar, beijar... Na novela, você é mãe de adolescentes. Está sendo uma experiência diferente na maternidade? Sim, é diferente, porque sou mãe de uma criança e, ali, tenho três adolescentes. Eu tive a sorte e o prazer de conquistar a minha independência financeira antes de ser mãe. A gente vê que muitas mulheres não têm essa condição e batalham todos os dias, têm a urgência para alimentarem essas crianças e deixamos sonhos delas de lado. A minha mãe, quando se separou do meu pai, ficou em uma situação mais complicada. Lembro que falei para mim que queria ser mãe só quando tivesse essa independência. Contei com o auxílio de pessoas da minha família, de anjos da guarda, que são os meus funcionários. Quando a pessoa trabalha com amor, não tem preço, então conto com a ajuda deles na hora de gravar. Já a situação da Paloma é bem mais difícil. Já está preparada para quando a Sofia se tornar uma adolescente? Ainda não! Fui adolescente do Interior. É outra coisa viver essa fase no Rio de Janeiro. Conto com o pai dela (Cauã Reymond, ator), que conversa bastante com a Sofia. Também estou desenvolvendo um olho no olho. Eu tinha uma coisa com a minha mãe que não conseguia mentir para ela. A gente criou essa relação de amizade e, até hoje, acho isso boni to. Tento desenvolver com a Sofia também. Você tem medo da morte? Eu tenho mais medo de perder as pessoas que eu amo. Se você parar para pensar, falar de morte é falar de vida. A gente está morrendo a cada dia. Se tem uma coisa da qual temos certeza é que a morte chega. Como você está vivendo o seu dia a dia? Tem horas que não nos questionamos, que achamos que não há um fim, que somos imortais, mas não somos. Paloma se transformou e viveu a vida de uma forma mais intensa depois desse contato com a finitude. Paloma tem uma forte ligação com a literatura. Você também cultivou o hábito de ler desde a infância? Lá na minha casa, quando eu pegava um livro para ler, minha mãe falava “vai trabalhar”. Livro era uma coisa de quem não tinha o que fazer. A maioria dos brasileiros, infelizmente, é assim. Não julgo a minha mãe ou a minha família, mas tem uma conotação de que você não está fazendo nada, e é o contrário. O hábito de ler tem de ser desenvolvido desde cedo. Hoje em dia, leio com a minha filha. Recentemente, estava lendo A Morte É um Dia que Vale a Pena Viver, da Ana Claudia Quintana Arantes, que é maravilhoso. Inicialmente, a gente pensa que é sobre a morte. Mas, quando você começa a ler, percebe que fala sobre qualidade da vida.