[[legacy_image_50021]] Gêmeas idênticas que encontraram suas essências e individualidades nos movimentos pulsantes da dança contemporânea. Essas são Giovana e Giulia Sales, de 24 anos, que cresceram na periferia de São Vicente e desde a infância buscam a oportunidade de viverem de arte juntas. Para perseguir o sonho, não falta força de vontade à dupla. Mas, sim, condições financeiras para irem à São Francisco, nos Estados Unidos, aproveitarem as bolsas de estudo integral que ganharam em uma conceituada academia de balé. “Essa é uma oportunidade de nos profissionalizarmos, de termos contato com outras culturas e amadurecermos. Além de, também, ser uma forma de ajudarmos nossa família em casa”, dizem as gêmeas, que são unidas a ponto de terem o costume de completarem as frases uma da outra enquanto respondiam à entrevista. A bolsa é da companhia internacional Alonzo King Lines Ballet, uma das referências em balé e dança contemporânea nos EUA. Essa chance surgiu quando as gêmeas foram convidadas para um ensaio da companhia, com cerca de 40 outros jovens da América Latina. A aula durou o dia todo e, segundo as irmãs, foi bem intensa e rigorosa. Ao longo do ensaio, foi perguntado se os participantes tinham interesse em continuar o estudo na academia. “Mas como não temos uma condição financeira muito favorável, nem cogitávamos a possibilidade”. E esse não foi o primeiro contato das jovens artistas com o exterior. Elas contam que já tinham recebido, por exemplo, propostas de bolsas internacionais antes. Mas, infelizmente, sempre inviável. Por serem “duas”, os gastos também se duplicam. Por isso, nesta aula da Lines Ballet elas só conseguiriam seguir os estudos se as duas fossem contempladas com bolsas 100%. “Tudo isso reduzia muito nossa chance e estávamos com o pé no chão - mas ainda esperançosas”. Após o ensaio, chega um e-mail às irmãs. Elas não só conseguiram uma bolsa 100%, mas, sim, cada uma delas recebeu três bolsas integrais. Duas delas são para cursos virtuais da companhia, que serão já neste semestre. Além disso, receberam uma bolsa presencial de nove meses de estudos na companhia em São Francisco, nos Estados Unidos. “Tudo isso está acontecendo em um momento ótimo”, ressaltam. Isso porque, normalmente, bolsas são dadas para bailarinos até 26 anos, explicam. Para elas, já com quase 25, “é uma corrida contra o tempo”. Apoio Essa pode ser a oportunidade de ouro que as gêmeas têm batalhado tanto para alcançar. Mas, apesar de a bolsa da academia ser integral, Giovana e Giulia precisam de dinheiro para o visto internacional e para se manterem no país durante o período. “Precisamos do visto J-1, por exemplo, que custa em torno de US\$ 1.400”, contam. Para embarcarem nesse sonho, elas almejam arrecadar R\$ 50 mil. Para ajudar, doações podem ser feitas pelo site Sharity. Também é possível entrar em contato com as gêmeas pelo e-mail giuliaegiovanasales@gmail.com. Além da campanha de arrecadação e de estarem buscando por patrocinadores, as gêmeas pretendem fazer outras ações, como rifas, nas redes sociais. É possível acompanhar no Instagram de Giovanae de Giulia. [[legacy_image_50022]] Dança trouxe identidade para as duas artistas “Não é como escolhêssemos a dança. Ela nos escolheu”. Para Giovana e Giulia, que cresceram sendo confundidas por conta da aparência, é na arte da dança que elas se diferenciam e encontram suas próprias identidades. Ainda assim, é um processo que elas fazem em conjunto - como quase tudo. “É um presente. Seria muito difícil conciliarmos tudo sozinha”, desabafam as irmãs, que encontram força uma na outra para enfrentarem as dificuldades e, principalmente, os preconceitos em torno da elitização do balé. “É uma luta constante de autoestima. Apesar de estarmos a muito tempo no balé, era como se não pertencêssemos a esse lugar”. Por isso, inclusive, elas se alegram tanto pela oportunidade na Lines Ballet. “Lá eles lutam bastante pela questão racial e ficamos felizes em ser escolhidas por isso também. Como não temos o ‘padrão perfeito e branco’, vai ser uma experiência única”.