[[legacy_image_54994]] A espera de Flávia Alessandra está perto de acabar. Com a volta dos capítulos inéditos de Salve-se Quem Puder a atriz se aproxima, cada vez mais, do momento de assistir ao resultado da sequência em que Helena, sua personagem, poderá abraçar a filha, Luna (Juliana Paiva), que ela imaginava estar morta. Na novela das 19h da Globo, a empresária foi enganada pelo marido, Hugo (Leopoldo Pacheco), e, assim, abandonou, sem querer, a herdeira e o amado, Mário (Murilo Rosa). Segundo a intérprete, o reencontro familiar promete fortes emoções na reta final do folhetim de Daniel Ortiz. Na entrevista a seguir, a atriz de 47 anos comenta sobre o encontro de Helena e Luna e de como se sentiu ao retornar aos Estúdios Globo em meio à pandemia do novo coronavírus. Flávia ainda conta que tarefas precisou assumir com a redução na equipe, fala da adequação aos novos protocolos de gravação e expõe sua perspectiva para o futuro da classe artística. A descoberta de que Fiona é, na verdade, Luna acontece na fase final de Salve-se Quem Puder. Qual foi a emoção ao fazer a cena com a Juliana Paiva? Eu venho acompanhando de perto a maturidade da Juliana como atriz. O fato de a gente ter trabalhado junto em Além do Horizonte me ajudou porque conheço os tempos dela na hora de gravar. Assim, conseguimos alcançar a química que sempre buscávamos. A sequência na qual a Helena descobre que a Fiona é a Luna foi emocionante. A cena escrita pelo Daniel (Ortiz, autor) estava linda e tínhamos o compromisso de honrar o que existia no papel. Foram dois dias de gravação, precisávamos estar perto, coladas, beijo e abraço. Ter essa relação de mãe e filha lá atrás tinha nos feito passar por um processo em que já éramos muito próximas. Como foi retornar ao trabalho em meio à pandemia? Voltar a gravar como Helena me ajudou a atravessar um período difícil da pandemia porque, no início, a gente começou a achar que seriam três meses de paralisação. Quando entendi que não era tão simples assim, comecei a dar aqueles tilts. Quando fomos chamados de volta, compreendi todas as medidas de segurança, me senti hipersegura. Isso me ajudou a me salvar. Qual foi o impacto de encarar os corredores vazios nos Estúdios Globo, por conta da redução das equipes? Esse retorno foi louco... Eu tenho 32 anos de TV Globo e, quando cheguei aos estúdios, estava tudo deserto. Foi o primeiro baque. O mundo, de fato, parou. Quando vi os mil protocolos, várias reuniões explicando, os corredores vazios, onde podia passar ou não, vivi esse momento de solidão e foram despertando outros sentimentos. Quais sentimentos? Sempre tento tirar proveito da situação. Então, a sensação que eu tinha era a de estar em um teatro, dentro dessa potência da Rede Globo. Eu que me maquiava, penteava, levava minha marmitinha para comer... Também me microfonava, fazia o aquecimento vocal, me vestia, meditava... A gente está acostumada a ter a troca nos bastidores. Mesmo sendo a protagonista, pedia para não ficar sozinha no camarim. Apesar de me sentir solitária, tentava buscar um lado que fosse positivo. Estávamos conseguindo entregar algo, o que dá essa sensação de satisfação de ter conseguido dar conta do trabalho. Salve-se Quem Puder é a única novela inédita da emissora no ar, com 53 capítulos coesos, dinâmicos, em uma época em que vivemos um caos. E o clima nos bastidores, como ficou? Existia esse consenso de que todo mundo queria que desse certo. A gente estava feliz, realizado, podendo voltar para os ambientes em que nos sentíamos seguros. Cenas que normalmente levavam uma hora para serem feitas e passaram a demorar três horas. Tínhamos essa concentração, então a novela está com a mesma energia. Nessa segunda temporada, eu sou o drama em pessoa na pele da Helena. Você vê alguma perspectiva otimista para a classe artística daqui em diante? A nossa classe vem sendo esmagada e, ironicamente, durante a pandemia inteira, a certeza que a gente teve foi que a arte nos salvou. Foi isso que ajudou a manter o prumo da nossa cabeça. Não vejo um caminho resolutivo para o amanhã. Ainda penso em uma longa estrada para nos restabelecer e na necessidade de resistência cada vez maior.