[[legacy_image_120288]] Na 10ª edição do Festival O Som das Palafitas, do Instituto Arte no Dique, de Santos, os 80 anos de Gilberto Gil e Caetano Veloso são o foco das homenagens. Para abrir a programação dos artistas nacionais, neste sábado (6), Moreno Veloso sobe ao palco virtual às 20 horas, pela segunda vez. Em entrevista exclusiva, ele fala sobre o pai, Caetano, e também comenta sobre Gil, figura igualmente importante em sua vida. Além disso, fala sobre sua relação com a música e os últimos lançamentos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Qual a importância de iniciativas como o projeto O Som das Palafitas? A música ajuda muito, né? A reunir, a expressar, encaminhar, aliviar… E essas iniciativas junto às comunidades são excelentes. Sempre vejo pelo mundo afora, na Bahia, no Rio, em São Paulo, que essas iniciativas ajudam concretamente a vida das pessoas, assim como a minha também. Neste ano, o festival homenageia os 80 anos de Gilberto Gil e de Caetano Veloso. O que significa para você abrir essa programação? Fico honrado. Eu sou muito fã do Gil e do meu pai, artisticamente. Além disso, eles são familiares e eu fico feliz de também poder fazer música, me expressar nesse caminho maravilhoso da canção brasileira – em que eles são grandes e expoentes. Espero que esse festival seja tão bonito quanto foi no ano passado – em homenagem ao Moraes Moreira. Para você, como artista, o que Caetano Veloso e Gilberto Gil representam? Para mim? Essa pergunta não faz sentido, porque não é para mim. É para o Brasil! Para o mundo! Eles representam músicos, compositores, pensadores... eles têm uma importância enorme pela própria qualidade do trabalho deles. São verdadeiramente faróis, que guiam muita gente. Não só a mim, que tive a sorte de nascer na família deles. Mas de muita gente. E de forma pessoal, o que eles te ensinaram sobre música? Foi muito bom crescer próximo aos dois. Eles me ensinaram muito. Tanto de instrumentos quanto de harmonia, passando por poesia e postura diante da vida. São pessoas excelentes e é um prazer conviver com eles, estar perto. Falando sobre seus últimos trabalhos: em 2020, você lançou um cover de Fullgás, de Marina Lima. O que te fez resgatar essa canção na pandemia? Eu estava, como todo mundo. meio cabisbaixo. Tudo estava parado e eu encontrei uma gravação que eu tinha começado a fazer em 2014, acho, dessa música de Marina e de Cícero, que eu adoro. Eu tinha gravado sozinho, cantando, tocando violão e fazendo baixo no violoncelo. Era um experimento pessoal e quando a encontrei no computador, logo pensei: “ah, vou terminar e lançar”. Aí, não sei, de repente a música ajuda muito a gente, como sempre (risos). Chamei meus amigos para ajudar (...) e lancei. Fiquei feliz com o resultado. Já neste ano, você participou de Era o Amor de Alguém, que tem uma levada bem diferente de Fullgás. Ela te tocou de que forma? É uma música muito linda, forte, emotiva e profunda que o Nenung, meu amigo budista do Rio Grande do Sul, fez e me convidou pra participar... A minha avó, mãe da minha mãe, morreu de covid. Então a letra e a música me emocionam muito. Só de pensar nisso eu já fico de novo um pouco triste e emocionado... Muita gente perdeu pessoas queridas nessa pandemia e eu também perdi. Essa música é uma espécie de grito, de dor e de revolta... de importância e de carinho também, por todas essas pessoas. Para O Som das Palafitas, você tocará algum lançamento? Que repertório você está planejando? Eu comecei a fazer um disco novo, um pouco antes de começar a pandemia. Mas aí a produção parou. Espero que eu consiga terminar em breve. Mas vou tocar uma música inédita no show, que vai fazer parte desse disco novo, com certeza. O repertório planejado envolve canções de Gil e do meu pai, minhas e uma de Pedro Sá. De Máquina de Escrever Música, seu primeiro CD, que completou 20 anos no ano passado, aos seus últimos lançamentos: como sua relação com a música se deu ao longo dos anos? Minha trajetória é bem regular, no sentido de ser lenta, paulatina e tranquila... e ela não tem mudado muito. O que mudou foi a chegada dos meus irmãos, Zeca e Tom, que se tornaram adultos nesses últimos 20 anos. Eles cresceram e amadureceram, principalmente no sentido musical. E isso é muito lindo para mim, me inspira e influencia muito.