[[legacy_image_118160]] O projeto de lei que põe fim à meia-entrada em eventos culturais e esportivos no Estado, aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp) na quarta-feira (27), vem causando polêmica. Pessoas ligadas à área da Cultura, ouvidas por A Tribuna, apontam que, muito mais do que um direito legal, a meia-entrada tem ligação direta com as políticas de difusão e acesso culturais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De autoria do deputado Arthur do Val (Patriotas), a ideia do PL 30020 é de que não haja diferenciação no valor dos ingressos por categoria, e que a meia-entrada passaria a valer para “todas as pessoas com idades entre 0 e 99 anos”, diz o deputado no texto. “Bom, meu pai tem 104 anos”, brinca o jornalista e escritor Jotabê Medeiros, que acompanhou a aprovação da meia-entrada, em âmbito federal, a partir do final dos anos 90, para o jornal O Estado de S. Paulo. Para ele, um dos argumentos que embasam o projeto, de que os ingressos ficariam mais baratos para todo mundo, não se sustenta. “Quando você tira o imposto de um produto, o preço cai? Não. O Governo desonerou o livro e nada aconteceu”. Jotabê vai além: a meia-entrada é um símbolo para o acesso à cultura. “O empresário que tem consciência do que representa a cultura, a adoção da meia-entrada permite a ele ter uma plateia mais ampla”. Pelo acesso facilitado, mais gente estará exposta a uma formação cultural. Essa dinâmica deve inspirar as políticas públicas no setor – e não o mercado, apenas –, avalia Jotabê. “Quando a Prefeitura organiza um show de jazz gratuito numa praça, ela atrai muita gente que terá contato com aquilo pela primeira vez e, depois, pode querer pagar para rever”. Menos acessoO empresário Toninho Campos, do Cine Roxy, afirma que há anos já cobra meia-entrada nas hoje 14 salas dos cinemas de Santos, São Vicente e Cubatão. “É viável, do ponto de vista econômico. Você baixa o preço e atrai mais gente”. Em décadas no ramo, Toninho observa uma contradição: quem é mais carente, menos acesso tem à meia-entrada. “As pessoas não têm nem a carteirinha (estudantil) para comprar a meia-entrada”. CompetênciaO presidente do Conselho Municipal de Cultura de Santos, Júnior Brassaloti, lembra, e enfatiza, que as leis sobre a garantia da meia-entrada são todas aprovadas em âmbito federal – portanto, fora da alçada estadual. “Em vez de criar uma pauta positiva para a sociedade, criando leis que facilitem o acesso da população à cultura, que é um direito garantido pela Constituição, portanto dever do Estado, ele age na contramão, em algo que não compete a um deputado estadual”. O governador em exercício, Carlão Pignatari (PSDB), que é o presidente da Alesp, evocou justamente essa falta de competência estadual para afirmar que a lei será vetada pelo Palácio dos Bandeirantes, seja por ele ou por Doria, que está em viagem, participando da Expo Dubai. “Tenho certeza que a procuradoria vai determinar a inconstitucionalidade. Se me passarem – o parecer pelo veto —, eu faço o veto imediatamente. Mas creio que chegará ao governador na semana que vem”, disse em entrevista à Rede Globo.