[[legacy_image_266471]] Acostumada a lidar com o social nas peças teatrais nas quais esteve envolvida, não importando a função, Maria Thaís vive uma experiência inédita ao dirigir Amazonias – Ver a Mata que Te Vê (Um Manifesto Poético), com sessões neste sábado e domingo (13 e 14), no Teatro do Sesc Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O motivo essencial para isso acontecer nesse espetáculo, produzido pelo Sesc, está na forma de seleção do elenco, que é composto por jovens ligados a periferias, com ou sem qualquer experiência no palco, a partir de 16 anos e chegando, pelo menos, nos 20. Uma boa ocasião para Maria Thaís exercitar outra formação de seu currículo: a de pedagoga. “As pessoas que estão chegando não estão ali para serem educadas em um certo modelo. Estão ali para uma relação de aprendizagem e troca porque também trazem com elas conhecimento. Mesmo jovens, trazem conhecimento dos seus territórios, das tradições das suas comunidades. É a pedagogia pensada como esse lugar de aprendizagem e troca e transformação e transmutação”, explica. Seleção e vivênciasApós serem recebidas cerca de 200 inscrições, tanto pelas redes sociais do Sesc quanto por entidades que trabalham diretamente em áreas periféricas, foram selecionados 120 jovens. Após entrevistas, 80 partiram para um trabalho com a equipe coordenada por Maria Thaís. Ao final, foram escolhidos 40. Desses, 35 seguiram em residência artística de seis meses antes de integrar o espetáculo. Agora, são 33, sendo que as duas baixas tiveram motivos diversos. “A questão pedagógica era o motor, o centro mesmo. É um projeto artístico, sem dúvida, pedagógico – e prefiro essa palavra do que educação – e social. Essa tríade é a gênese do projeto. O que me moveu a fazer esse projeto, pessoalmente, foi o cunho pedagógico, mais até do que o resultado artístico que a gente pudesse alcançar”, afirma. Dentro desse contexto, Maria Thaís reforça a importância das vivências de cada integrante para a confecção do espetáculo. “Os materiais humanos e não humanos determinam o trabalho. Não dá para trabalhar com a cena, no meu entendimento, sem considerar o que é cada um. Nem consigo pensar o teatro ou a cena como um lugar em que eu vou e me torno outra pessoa. Entendo a cena como o lugar onde quem chega vai estar em diálogo com outras histórias que não a dele mesmo, em um encontro de histórias e narrativas. Aí entra a pedagogia novamente”, analisa. A magnitude do espetáculo impressiona, ao mesclar linguagens da dança, do teatro, da música e do audiovisual, reproduzindo pela arte, na abordagem plural, a vastidão da floresta. Amazonias – Ver a Mata que Te Vê (Um Manifesto Poético) esteve em cartaz de 25 de novembro do ano passado a 12 de fevereiro, no Sesc Pinheiros. Posteriormente, seguiu por outras unidades desde o início de abril. Antes de Santos, o espetáculo percorreu Guarulhos, Sorocaba e São José dos Campos, Depois, a parada será em Araraquara, nos dias 27 e 28. [[legacy_image_266472]] Moradora do Capão Redondo, bairro da Zona Sul da Capital, Gabrielle Santiago, de 17 anos, soube das inscrições para o espetáculo Amazonias - Ver a Mata que Te Vê (Um Manifesto Poético) por sua psicóloga. “Ela achou que combinava comigo”, afirma. O motivo é que Gabrielle já tinha tido contato com o teatro, mas apenas em projetos sociais da comunidade, dos 9 aos 13 anos. “Nunca tinha feito algo tão grande assim”, garante. Desde a estreia, a jovem, que mora com a mãe e um casal de irmãos gêmeos de 5 anos, tem atraído as atenções de amigos e familiares que residem no Capão Redondo. “Muitos já foram me ver e começaram a se interessar pelo teatro, me perguntando como fazia para participar”, conta.A entrada no espetáculo Amazonias - Ver a Mata que Te Vê (Um Manifesto Poético) permitiu que Kalu, de 21 anos, tomasse contato com suas origens indígenas. Nascido em Porto Velho, capital de Rondônia, ele mora há seis anos em São Paulo, com experiência no canto e como multi-instrumentista (toca violão, piano, contrabaixo, guitarra e percussão). “Em meio ao caos da vida na Capital, tudo aconteceu no momento exato em que eu buscava minhas raízes”, afirma. Foi o caso da história da avó Maria Assunção. Ela nasceu em Cariús, no Ceará, mas acabou mudando de estado e foi, ainda muito jovem, para Porto Velho. Em meio aos ensaios do espetáculo, Kalu começou a pesquisar e veio a descoberta de que ela integrava a etnia Kariu-Kariri. “Só isso que eu sabia: o nome dela e de onde ela havia vindo”, afirma. Serviço Amazonias – Ver a Mata que Te Vê (Um Manifesto Poético) Teatro Sesc-Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, Santos). Ingresso: entre R\$ 10,00 e R\$ 30,00. À venda pela internet ou nas bilheterias da unidade.