[[legacy_image_170919]] Criado em 1995 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para celebrar o livro, incentivar a leitura, homenagear autores e refletir sobre seus direitos legais, o Dia Mundial do Livro, comemorado neste sábado (23), foi escolhido em tributo aos escritores Miguel de Cervantes (Espanha), Inca Garcilaso de la Veja (Peru) e William Shakespeare (Inglaterra) que, coincidentemente, morreram nessa data em 1616. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aos 80 anos, comemorados no mês passado, o santista Pedro Bandeira é o escritor infantil e juvenil há mais tempo nas estrada. Mais conectado às redes sociais, faz transmissões ao vivo sobre diversos assuntos. Numa delas, afirmou que quando você lê muito e assiste muitos filmes, acaba se inspirando para escrever. “O mundo sempre dependeu da Educação. Hoje ainda mais. O conhecimento é a maior fortuna e, infelizmente, o Brasil nunca investiu de verdade em educação. Sou um escritor ligado à Educação. Por isso, gosto de escrever livros até o Fundamental para atuar na sua formação. A escola e o professor, junto da família, são os verdadeiros formadores de cidadãos”. E para Bandeira, o estudante deve ler o que quiser, não importando gênero. Não é necessário obrigar ninguém a ler o que não gosta, como os clássicos que não falam com a criança e o jovem. Com isto, o hábito da leitura ingressará naturalmente. Escrevendo para crianças e adultos, a sobrinha-neta do escritor santista Martins Fontes, Maria Valeria Rezende, que também completa 80 neste ano, publicou sua primeira obra perto dos 60. Ela acredita que os seres humanos nascem preparados para viver mil vidas diferentes, mas, na medida em que se vive, pega-se um atalho ou outro, uma estrada outra e, muitas vezes não dá mais para voltar para trás. Para ela, fica uma certa nostalgia que o cotidiano, nos encaminhando por um caminho, provoca. Então, a literatura é a grande saída para esse dilema, pois o livro faz viver outra vida. Numa outra geração santista, estão José Roberto Torero, Susana Ventura e Vanessa Ratton, que escreve quinzenalmente para o jornal sugerindo obras para crianças e jovens. Para eles, a data é importante para refletir mais sobre a importância do livro. “O livro, esse monte de letra amontoada, é importante porque é o nosso mais clássico suporte de informação e de conhecimento. E porque é sinônimo de imaginação, inteligência e memória. Ou seja, o livro simboliza as coisas que tornam a humanidade algo em que ainda se pode acreditar”, diz Torero. Susana Ventura também é professora, doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e pensa que datas como esta são boas para pensarmos como estamos ou não construindo uma relação com a escrita e o objeto livro e o quanto estamos ajudando a sociedade a realizar essa obra, que é coletiva. “Somos uma sociedade fundada na oralidade que constrói, geração a geração, a relação com o universo da escrita. Levar mais livros para as pessoas, construir um Brasil em que ler seja uma atividade essencial, é um desafio coletivo. Ler empodera e propicia mudanças individuais importantes. Se estivermos falando de leitura literária, então, o ganho individual e social de viver e propiciar viver em ambientes com livros é muito grande. A literatura aprofunda modos de ver o mundo, garante a reflexão e as possibilidades de ver além da realidade mais evidente”, afirma. Vanessa Ratton integra a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), instituição nacional, e acredita que todo esforço para promover a leitura e o livro literário são extremamente importantes. “Principalmente quando falamos da literatura infantil, muitas vezes é através dela que a criança vai ter seu primeiro contato com a arte, a literatura, as artes plásticas (ilustrações) a poesia e até o teatro, pois texto dramático também está presente no formato livro”, diz. Para a escritora, o livro é um tapete voador, que leva a outros países, realidades e culturas diferentes. “Sim, ele amplia nosso vocabulário, nos ensina a escrever e a falar melhor, mas, acima de tudo, nos estimula a imaginar, a refletir e a entender o mundo. Podemos estar sem companhia, mas nunca sozinhos, mergulhamos no mundo daqueles personagens e experimentamos todas as sensações e conflitos, aprendemos diferentes pontos de vistas. Tudo isso com leveza, humor, poesia, fantasia ou até mesmo sofrimento, mas isso nos torna seres humanos melhores”.