[[legacy_image_43169]] Nem todos sabem, mas Santos foi uma das pioneiras na libertação dos escravos e esteve à frente nas questões da luta pela liberdade dos negros no País. Para dar mais visibilidade a essa parte da história regional, a publicação Santos, cidade libertária (Imaginário Coletivo) acaba de ser lançada. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A obra do escritor e trabalhador portuário Bartolomeu Pereira de Souza, o Bartô, quer atrair o público jovem para a discussão da formação dos negros em Santos. Para isso, o formato escolhido foi o de história em quadrinho. “Segundo a história oficial, três meses antes do decreto da Princesa Isabel (que aboliu a escravatura em 13 de maio de 1888), Santos já não tinha mais ninguém escravizado”, adianta o autor. O livro, ilustrado pelo artista Kleber Nunes e com roteiro de José Eduardo Lima, destaca a formação do Quilombo do Jabaquara, para onde os escravos libertos iam em busca de abrigo. Foi de lá que saiu o primeiro vereador negro da Cidade, Quintino de Lacerda, que chegou a ser presidente da Câmara, em 1895. “O presidente da Câmara, na época, chegou a renunciar para não dar posse a um negro e todos os vereadores foram renunciando e ele ficou sozinho, sendo o presidente da Casa por alguns dias. O racismo dos outros acabou dando a ele notoriedade e protagonismo e, hoje, há um retrato dele na galeria de presidentes da Câmara”, lembra. Personagens como a parteira Maria Patrícia e do ex-prefeito Esmeraldo Tarquínio também estão presentes na história. Sem comemorações Bartô explica a abolição da escravatura teve uma grande consequência que não foi positiva. “Como não teve reparação nenhuma ou distribuição de terras, a partir do dia 14 de maio os libertos passaram a procurar o quilombo para ter ajuda para sobreviver. Naquele momento, o que aconteceu foi que não havia mais interesse na mão de obra negra por conta da industrialização. Eles foram deixados de lado”, conta. Ele ainda tentou aprofundar as pesquisas para saber o destino daqueles que viveram no Jabaquara, mas não existem registros. “Teve época que Santos tinha 3 mil habitantes e o quilombo tinha 10 mil. O que houve com essas pessoas que foram remanejadas? A história não conta. A invisibilidade é a principal arma de quem escreveu a história de um dos maiores quilombos urbanos do País”, afirma o escritor. Ele pontua que a próxima quinta-feira, data que marca o fim oficial da escravatura, não é um dia de festa para a comunidade negra. “Não comemoramos a libertação. É um dia de resistência”, define. Devido à pandemia, o livro não foi lançado oficialmente. Nesta quinta, ele participa de uma live, às 20 horas, dentro da programação da 9ª Semana da Cultura Caiçara de Santos, nas redes sociais do evento. Assim que possível, ele quer promover ainda roda de conversas com estudantes para ampliar o debate. Onde buscar A publicação, realizada com recursos do 8º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes no município de Santos (Facult), foi distribuída para as bibliotecas públicas municipais e também está à venda diretamente com o autor a R\$ 30,00. Metade do dinheiro será usado para compra de cestas básicas para famílias carentes. O telefone do Bartô é (13) 99134-4514.