[[legacy_image_89065]] O professor e escritor cubatense Fábio Ferreira se inspirou nos sentimentos e emoções para escrever livros infantis. Lecionando Português e Inglês desde 1994, ele aproveitou a bagagem escolar para expandir a atuação de suas palavras — que hoje, extrapolam as salas de aula de Cubatão e Praia Grande para chegar às casas de crianças de todo o país. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Mesmo com projetos adiados durante a pandemia, uma nova coleção está por vir. Fábio projeta, após quase um ano em pausa, um conjunto de dez livros voltados ao público adolescente. Assim como outras obras do autor, ele trata sentimentos: frustração, empatia, timidez, depressão, entre outros, são retratados com abordagem voltada ao público adolescente. “As vivências de cada um, durante a pandemia, trouxeram ideias incríveis para o lançamento. Criamos um projeto para a coleção que se chama Projeto ALME. Será mais do que um livro, mas sim uma experiência cultural com a fusão da palavra escrita, da música e da arte visual”. Com lançamento previsto para novembro, o projeto terá textos de Fábio, ilustrações de Marjorie Steinmaier (com linguagens visuais diferentes para cada livro) e uma trilha sonora com canções específicas para cada livro, composta por Sóciro. Recentemente, ele também encara o desafio de escrever para o público adulto. “Estou na fase de envio de originais, enfim, o percurso de escritor, que começou há dez anos, está apenas começando, mas sinto que ainda vai longe”, se emociona. Principais obras Na coleção Sentimentos, buscou nomear o que as crianças sentiam. São 10 livros ilustrados de 16 páginas cada, repletos de histórias sobre as emoções que permeiam o dia a dia das pessoas. Direcionados especialmente às crianças de 3 a 7 anos de idade, eles abordam os seguintes temas: alegria, amor, ansiedade, ciúme, medo, raiva, saudade, solidão, tristeza e vergonha. “Gosto muito da reação das pessoas quando conhecem a coleção Sentimentos. Acho interessante como precisamos falar de definições tão básicas de sentimentos comuns hoje em dia”. "Notamos o quanto as crianças queriam ler e conversar sobre o que sentiam”, esclarece Fábio, “então discutimos que poderíamos também falar sobre comportamentos que não são assim tão aceitáveis na construção das relações sociais". Daí surgiu a fagulha para a coleção O Que Não Cabe No Meu Mundo, sucesso entre o público infantil. [[legacy_image_89066]] "Sugeri que abordássemos uma coleção com os nossos monstros pessoais. Sabe, os montinhos com os quais temos que lidar cotidianamente", explica o autor, que fez a escolha dos temas junto aos responsáveis da edição. Com dois volumes, a obra aborda comportamentos e sentimentos de forma lúdica, como crueldade, egoísmo, inveja, injustiça, entre outros. Em contrapartida, a coleção O Que Cabe No Meu Mundo aborda valores morais como amizade, responsabilidade, entre outros. Na edição comemorativa de 10 anos da coleção, Fábio foi convidado a reescrever os textos. “A edição original era formada por textos de conceituação, e a mim foi pedido que criasse vida e acontecimentos aos personagens. Foi muito bacana! Tive que recompor cada personagem e criar situações em que os valores apareciam no decorrer da história. Me diverti muito criando a personalidade de cada um dos personagens, que há 10 anos, só existiam em ilustração”. Outras obras do autor são A África de Dona Biá e Ainda Bem Que Tudo É Diferente, que exploram a pluralidade cultural no mundo e a diversidade. “Estamos, inclusive, pensando em lançar uma edição no próximo ano com novas ideias e informações sobre o Continente Africano. Pouco sabemos sobre a diversidade de culturas e povos desse continente que é tão importante para a formação da nossa própria identidade como brasileiros”, reflete. Hábito da leitura Apaixonado pela leitura desde o aniversário de 11 anos, quando ganhou um exemplar de Robin Hood e descobriu a Literatura como um verdadeiro presente, Fábio entende a importância da leitura na formação cidadã. “Não acredito em formação plena de uma sociedade sem que a leitura esteja no centro desse processo. Ler é a única forma possível de compartilhar, é algo extremamente pessoal e coletivo ao mesmo tempo. Somos uma sociedade letrada e por essa razão desenvolvemos tantas multiplicidades de pensamentos”. “A leitura precisa fazer parte central do processo de ensino, não apenas dos alunos, mas de professores também”, ressalta o professor. A leitura crítica é importante para impedir, por exemplo, a disseminação de fake news. “Quando uma pessoa acredita em uma mentira propagada pelas redes sociais ela perdeu a capacidade de observar até mesmo a lógica da mentira e isso, em minha opinião, é em razão da pouca importância que damos à leitura crítica”. Portanto, é essencial introduzir o costume desde pequeno e estimular as crianças progressivamente. “O hábito da leitura precisa ser criado na infância, mas mantido durante o desenvolvimento do indivíduo. Isso possui relação com o valor que as pessoas dão aos livros nas diversas formas de relacionamento pessoal — família, escola, amigos”, destaca. Pandemia Durante o isolamento social, reaprendemos nossa relação com o tempo e espaço. Nesse meio tempo, a venda de livros aumentou, e nesse processo, as pessoas redescobriram as relações sociais. “Parece que as pessoas estão redescobrindo a dinâmica de conversar com o texto escrito, quem sabe em decorrência da alta exposição aos recursos tecnológicos virtuais”. Leitura requer atenção e paciência, indo na contramão da alta exposição às telas, que cresceu ainda mais pela educação a distância imposta na pandemia. “O resultado é o acréscimo da ansiedade como elemento dificultador para o crescimento de crianças, jovens e adultos. Muito se fala sobre os danos que serão causados pela suspensão das atividades escolares, mas quase sempre se comenta sobre prejuízo de conteúdo. Pouco se fala sobre as consequências que serão notadas nos alunos do futuro que tiveram etapas de percepção do mundo, dos espaços, das texturas e, principalmente do contato com o outro suprimidas pela necessidade do isolamento”. O isolamento, segundo Fábio, provou que a escola é mais do que um “depósito de conhecimento pronto”, mas sim um espaço valioso na formação social e no encontro da felicidade. Esses impactos sociais, portanto, afetarão a relação da criança com a leitura ainda mais. “Embora pouco se diga, a ausência de espaços de brincar e de se relacionar com colegas e professores será muito mais impactante no domínio da leitura no futuro do que no momento. Hoje as aulas virtuais, que tentaram reproduzir o mundo real, colaboram muito mais com a criação lapsos de falta de atenção do que com a construção de competências, entre elas, a competência leitora”. Claro que o ensino remoto não foi uma escolha, mas sim uma necessidade frente à emergência de uma doença mortal. Para recuperar essas perdas, o professor ressalta a importância de incentivos coletivos à leitura. “Conforme retornamos aos espaços escolares, com segurança, possamos manter as rodas de leitura e o contato físico com o livro e com a leitura conjunta”. Fábio Ferreira trabalha com visitas de conversas e rodas de leituras nas escolas. Conforme a retomada pós pandemia, espera voltar à ativa: “Não vejo a hora de podermos viver esses momentos novamente”. As visitas escolares podem ser agendadas pelo perfil do Instagram ou pelo WhatsApp em (13) 99773-1076.