[[legacy_image_121020]] Madrinha do forró brasileiro, Elba Ramalho carrega a essência da música nordestina na voz e no coração. A cantora celebra 40 anos de carreira neste ano com eventos especiais, entre eles, a live Raízes do Brasil, que aconteceu no Teatro Bradesco no último 29 de outubro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Além dos palcos, Elba acredita na música como instrumento de mudança. O orgulho nordestino e o protagonismo feminino são pautas sempre presentes em suas histórias, cantadas entre paisagens sonoras que viajam em busca de um Brasil mais representativo, justo, diverso. Em entrevista exclusiva à reportagem de A Tribuna, Elba revê sua trajetória e comenta novos projetos, influências e perspectivas para a música brasileira. A artista também fala sobre a dinâmica de criação musical junto à família, que resultou no disco Eu e Vocês, gravado em casa com a produção de seu filho, Luã. Com o 38º trabalho, ela concorre ao Grammy Latino 2021, que acontece em 18 de novembro. Você é uma inspiração para várias gerações de artistas. Como estão as comemorações de seus 40 anos de carreira?Tomara que eu tenho inspirado alguns artistas, eu sempre me esforcei para fazer o melhor. Tenho muito respeito pelo público, saber que uma pessoa saiu do conforto da sua casa para ir me assistir é muito gratificante, mas uma responsabilidade também. Ninguém escolhe errar. Minha trajetória tem acertos e erros, mas eu diria que é uma trajetória muito digna, de muita batalha. Ainda quero fazer muita coisa, boas ideias não faltam e meu ofício é realmente cantar. Cantar também é contar histórias. O que te inspira a seguir criando narrativas e inovando? Sim! Eu canto para dizer alguma coisa. Não sou compositora, até arrisco escrever alguns versos, mas sou intérprete. Tenho o prazer de escolher a canção mais bonita, de escolher a mensagem a ser transmitida. São tantos sentimentos bons, tantos poetas talentosos, ainda tenho muita coisa para contar. Como esses anos de estrada impactam suas criações atuais? Em paralelo, quais são as novas referências que te inspiram?É claro que eu trago uma bagagem muito grande de tantos anos de estrada e tudo acaba se refletindo no meu trabalho atual. Costumo dizer que eu construí um castelo com as pedras que encontrei pelo caminho. Meu filho é produtor musical e me traz muitas informações novas, minhas filhas têm um gosto muito eclético, então acabo escutando o que elas estão curtindo. Eu gosto do trabalho do Gilsons, a Daíra cantando Belchior é lindo, Almério de Recife, Ilana Queiroga... Tem uma galera chegando com muita qualidade. A Mariana Aydar faz um trabalho lindo. Eu quero cantar com todo mundo! A cena musical brasileira mudou muito rápido, especialmente nos últimos anos, com as novas tecnologias e mudanças na distribuição musical. Como manter a essência e seguir entre os principais nomes da música em meio a tantas novidades?Eu não tenho uma fórmula. Não vou mudar em função de uma necessidade de mercado, sigo fiel ao meu trabalho de priorizar os ritmos nordestinos. Todo trabalho tem que ter a sua verdade — se tem verdade, o público se identifica. Falando em representatividade, você acha que hoje as mulheres nordestinas tem mais espaço na música? Como você avalia o protagonismo feminino, em geral, na música brasileira de hoje?É um assunto delicado, pois tive que vencer preconceitos e ultrapassar barreiras que me impuseram. Hoje, tudo é tão globalizado, mas os muros seguem de pé. Existe mais representatividade, mas é uma luta diária. Eu diria que o Brasil é um país de cantoras, que temos cantoras maravilhosas e poderíamos ter muito mais. Juliette trouxe essas pautas com força na mídia, atualmente. Você a conheceu e cantou com ela. Como foi essa experiência? Você chegou a acompanhá-la no Big Brother Brasil?Acompanhei sim, me identifiquei com ela desde o primeiro momento. Por que o nordestino precisa se justificar o tempo todo? Ela é muito talentosa e vai ganhar o mundo, é afinada e foi uma experiência muito gratificante cantar com ela. Sobre o disco Eu e Vocês, como foi seu processo de criação?Foi muito natural e espontâneo. Tenho estúdio em casa e nasceu a minha netinha Esmeralda, eu tinha que produzir neste momento de isolamento. Muitos sentimentos envolvidos, pessoas passando por problemas de saúde, por problemas financeiros e o mundo mudando. Eu gravei Felicidade (Marcelo Jeneci e Chico César), Maçã do Rosto (Djavan), convidei Padre Fábio para cantar uma composição de Dominguinhos. Eu precisava passar uma mensagem de esperança. Como é a dinâmica de trabalhar com seu filho?Eu já tinha trabalhado com Luã, mas não de forma tão intensa. Ele produziu o disco, compôs duas canções e fez arranjos em várias músicas. Ele se aprimorou, estudou fora do Brasil e se tornou um ótimo produtor musical. Sou mãe coruja mesmo. Ele é maravilhoso. Pode nos contar um pouco sobre seus planos para este ano? Temos novos projetos a caminho?Tenho sim, não posso contar tudo, mas vem coisa boa pela frente. Inclusive, em dezembro vou estrear um show lindo que se chama Concerto da Amizade. Eu, Padre Fábio de Melo e Orquestra Villa Lobos vamos começar por São Paulo a nossa turnê. Um espetáculo grandioso para toda a família.