[[legacy_image_44035]] Drama familiar vencedor do Oscar e um dos líderes de indicações este ano, Minari - Em Busca da Felicidade dá mais um passo na aproximação do cinema coreano com Hollywood, trazendo uma temática recorrente dos filmes ocidentais: a busca pelo sonho americano. Dirigido por Lee Isaac Chung, o longa trouxe um refresco dos dramas mais densos desta temporada, mas é igualmente profundo e existencialista. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Situado nos anos 1980, Minari conta a história de uma família coreana que parte para os Estados Unidos para tentar uma vida melhor. Jacob (Steven Yeun), o patriarca, decide mudar para a zona rural do Estado de Arkansas e tentar a sorte como fazendeiro de vegetais coreanos em um solo inexplorado, um terreno isolado que parece cheio de possibilidades. Ele entra em conflito com sua esposa, Mônica (Ye-Ri Han), que não concorda com o estilo de vida proposto pelo marido e tem medo da situação financeira da família. A situação se agrava por dois motivos: David (Alan S. Kim), o caçula do casal, tem um sopro no coração que parece se agravar; e Soonja (Yuh-Jung Youn), mãe de Mônica, resolve vir morar com a família para ajudar a cuidar das crianças, mas tem um jeito não tradicional de rotina. A premissa do imigrante, enfrentando as dificuldades financeiras, sociais e culturais que essa mudança envolve, é o ponto alto da trama. Nesse ponto, se reflete muito sobre as condições opostas ao ideal americano que o capitalismo propõe, e de quanto sofrimento é necessário para se viver minimamente bem. Mesmo ambientado em década passada, o longa é extremamente atual em suas reflexões sobre a falta de oportunidades profissionais e dificuldades econômicas da atualidade. O protagonista, Jacob, que aposta todas as fichas em um projeto que suga todas as suas energias, representa a tenacidade e compromisso com um ideal por vezes impossível, bem como a busca pela autorealização, que é colocada à prova quando problemas familiares exigem mais atenção do patriarca. A dinâmica familiar é muito verdadeira e intimista, mostrando os conflitos geracionais e também culturais, especialmente entre o menino e sua avó, no dia a dia. Sem se ambientar com o novo lar, David encontrava dificuldades que vão se dissolvendo na presença da avó, que representa não só uma figura mentora em sua vida como também uma desafiante, contestando todas as verdades e limitações. A questão da ancestralidade que vem com a avó também é importante, pois impacta especialmente nos momentos de decisão. Vale destacar a conexão entre o elenco, que faz o filme fluir com naturalidade, onde podemos visualizar nossas próprias vidas e situações em nossas famílias. Alan Kim, mesmo tão pequeno, tem uma química excepcional em tela tanto com Steven (que interpreta seu pai) como com Yuh-Jung (a avó). Conforme determinados acontecimentos na trama pedem por mais união, essa confiança entre os personagens vai se desenrolando e reflete sobre o valor das promessas e o peso da influência familiar no crescimento e formação infantil. A própria representação do Minari, uma planta originária da Ásia Oriental, também é importante para entender a relação entre os cinco. Conhecido como agrião coreano, salsa japonesa ou até aipo da água, a planta é a única comestível de sua família (uma aposta única), sendo importante composto como verdura, erva aromatizante ou medicamento. No filme, ela faz dois contrapontos: representa prosperidade nas dificuldades, pois enquanto o pai sofre na agricultura da fazenda, as sementes plantadas pela sogra na beira de um riacho crescem facilmente, servindo de sustento a todos; e figura como respeito às próprias raízes, já que enquanto lutam para ser aceitos como uma família tradicional americana, eles se lembram de sua identidade. Bucólico em alguns momentos e intenso em outros, Minari é um filme detalhista e sensível, que merece estar em nossas listas como um estudo do cinema contemporâneo.