[[legacy_image_64630]] Considerada a grande diva do teatro brasileiro e um nome marcante na dramaturgia, que batizou teatros, Cacilda Becker completaria 100 anos nesta terça-feira. Mas o que muitos não sabem é que a estrela, nascida no Interior de São Paulo, passou a infância e parte da adolescência em Santos e foi aqui onde ela deu os primeiros passos na arte. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Nascida em Pirassununga, com a separação dos pais, aos 9 anos ela mudou-se com a mãe e as duas irmãs mais novas, Cleyde e Dirce, para Santos. Cleyde (Yáconis), mais tarde, também seguiu a carreira artística. A mãe de Cacilda, Alzira Becker, era professora da rede estadual e dava aulas em São Vicente, onde hoje funciona a Etec Ruth Cardoso, para sustentar as filhas. Na época, elas moravam em um chalé da Rua Barão de Paranapiacaba (antiga Rua do Sol) e Alzira caminhava diariamente pela linha férrea, de casa para o trabalho. Com poucos recursos, Cacilda estudou no Colégio José Bonifácio, onde se formou como normalista e teve seu primeiro contato com o teatro e a dança. Maria Thereza Vargas relata no livro Cacilda Becker – uma mulher de muita importância (Imprensa Oficial) essa iniciação. “(...) seu professor de latim, Rafael De Lossio, apaixonado pela dança e pelo teatro, foi a primeira pessoa a lhe falar da vida e das concepções modernas de Isadora Duncan. E assim, a futura atriz – dançando pelas praias, rochedos e mar – ia tomando como suas as temerosas palavras de Isadora: desde o início, nada mais fiz do que dançar a vida (...) apreensão de sua brutalidade implacável e da sua marcha esmagadora.” Além da beleza exuberante, que chamava a atenção, a voz de Cacilda também se destacava. Tanto que ela fez participações na Rádio Clube de Santos e Rádio Atlântica, onde se tornou muito próxima de Rosinha Mastrângelo. [[legacy_image_64631]] Início no teatro O crítico teatral santista Miroel Silveira foi um dos primeiros a identificar o talento da jovem e se tornou uma espécie de mentor de Cacilda, fazendo também com que ela conhecesse o círculo de artistas santistas e paulistas que seu pai, o contista Valdomiro Silveira, recebia em sua casa. Foi ele também que, em 1941, incentivou a ida ao Rio de Janeiro para participar de uma montagem amadora da peça 3.200 Metros de Altitude, de Julien Luchaire, no Teatro de Estudante do Brasil. Depois de passar por várias companhias, atuando com nomes como o diretor Zbigniew Ziembinski e Bibi Ferreira, sua carreira teve destaque quando ela entrou no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, seis anos mais tarde. Na década seguinte, ela e o marido, o ator Walmor Chagas, fundaram a própria companhia, o Teatro Cacilda Becker (TCB). Cacilda também ficou conhecida por sua atuação pela categoria contra a ditadura. Foi a primeira atriz profissional a ser contratada no País e presidiu o Sindicato dos Atores, com gestão marcada contra a censura ao teatro. Despedida simbólica Foi durante a apresentação da peça Esperando Godot, de Samuel Beckett, em maio de 1969, em São Paulo, que ela teve um acidente vascular cerebral (AVC) que a deixou em coma por 38 dias. Ela morreu em junho daquele ano. Apaixonada e apaixonante, Cacilda teve dois filhos, Luiz Carlos, o Cuca, com Tito Fleury, e Maria Clara, adotada junto com Chagas. Centenário Para comemorar o centenário do nascimento de Cacilda, a Pinacoteca Benedicto Calixto promove nesta terça-feira um bate-papo cultural, numa transmissão ao vivo pelo Facebook da entidade, a partir das 16 horas, em homenagem à atriz. O escritor Flávio Viegas Amoreira contará um pouco da vida e obra dela, dando destaque à sua passagem pela Baixada Santista, além de ler poemas de autores contemporâneos a Cacilda. Ele é acompanhado por Tatiana Justel, que vai interpretar um poema de Carlos Drummond de Andrade dedicado a Cacilda e ler um monólogo inédito, escrito por Amoreira, sobre a atriz. O bate-papo conta também com a participação do pianista Fábio Luiz Salgado, que apresentará músicas do período de atuação dela.