[[legacy_image_64282]] “Falem bem, falem mal, mas falem de mim”, já dizia Chorão nos versos de É Quente. Imerso nessa dualidade de um ídolo amado por muitos, mas duramente criticado por outros, o vocalista do Charlie Brown Jr. tornou-se uma das figuras mais complexas e emblemáticas do rock nacional, especialmente na cena caiçara. Para ilustrar todos os lados do cantor, o documentário Chorão: Marginal Alado mergulha em mais de 600 horas de pesquisas em acervo pessoal do cantor e cerca de 20 horas de entrevistas para tentar entender quem era esse ícone de tantas faces. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Estreante na direção de longas biográficos, Felipe Novaes assumiu a responsabilidade de mostrar, em 80 minutos, toda a complexidade que envolve a vida e morte de Chorão. Em entrevista exclusiva a A Tribuna, ele pondera que a pesquisa, iniciada em 2013, logo após a morte do músico, se deu em quatro etapas: vida pessoal e pública, o contexto histórico na época de seu sucesso, o dia a dia das turnês e a visão do público sobre o astro. “Por ser uma pessoa intensa e carismática, ele não passava batido nem para o bem, nem para o mal. Foi trabalhoso separar esses momentos e entender que todas suas facetas se complementavam. Ele era uma figura super contraditória, às vezes super legal e, às vezes, nada legal, assim como todos nós. Quando se é um rockstar, as coisas ficam muito mais quentes, ele sentia tudo de forma extrema. Tentamos costurar um olhar em cima de todas essas contradições”. Refletindo sobre a presença de um rockstar tão polêmico nos dias de hoje, chegamos à pergunta: será que o Chorão seria cancelado nos dias atuais? Para Felipe, a resposta é não. “Já pensei bastante nisso. Ele era um cara muito esperto para o business e muito inteligente. Acho que seria esperto o bastante para não ser cancelado e teria se atualizado sobre as pautas”. A concepção do filme, segundo o diretor, foi um processo transformador. “Tinha assuntos super delicados, então foi maravilhoso e muito difícil fazer, aprendi muito. A vida de uma pessoa nunca vai caber em uma hora e 20. Saber resumir esse olhar sobre alguém te ensina muito sobre você, principalmente”. No início, a produção contou com apoio de um financiamento coletivo para se estruturar, que teve apoio de quase 500 pessoas. “Esse momento foi muito importante, porque vimos que o projeto teria mais aderência do que imaginávamos. As pessoas queriam ver o filme, e isso deu um gás incrível. Eu atribuo isso ao Chorão, que tem essa capacidade de agregar pessoas”. Para o cineasta, que já curtia o som do Charlie Brown Jr, a experiência só estreitou o laço. “Eu cresci em Santos, então o Charlie Brown Jr. fez parte da minha vida e musicou vários momentos importantes da minha adolescência. Eu fiquei tantas horas pesquisando sobre ele, que já acho que sou amigo dele (risos). Criei uma relação muito doida com o personagem. Hoje, escutando as letras, sabendo de tudo que garimpei, tenho ainda mais respeito”. Além da biografia do artista, o documentário atravessa a história de Santos. “É lógico que a história dele se mistura com a do Charlie Brown Jr. e com a história da música de Santos, porque é o retrato de uma geração e uma formação cultural. Ele é uma das figuras mais marcantes da cidade e será por muito tempo, porque representa identificação”. Legado Mesmo oito ano após a morte de Chorão, que cometeu suicídio em 2013, o músico segue inspirando as novas gerações. Retratar o impacto dessa perda foi um dos maiores desafios do documentário. “Ninguém que morre do jeito que ele morreu parte festejando. É um processo. E o documentário conta como isso aconteceu”, diz Felipe. “A gente abre alguns caminhos para o público entender a vida dele de outro jeito”. Nesse contexto, uma das entrevistas mais impactantes do filme é com o baixista Champignon, parceiro de banda e amigo de longa data de Chorão. Ele foi entrevistado pela equipe uma semana antes dele também se suicidar. “Isso foi muito impactante para a gente na produção. Levou a história para um outro lugar. Você nunca espera que vai conversar com um entrevistado que vai passar por essa situação dias depois". "Como os dois morreram de formas trágicas, isso reforçou alguns olhares que a gente tinha sobre a situação toda, sobre o preço da fama e do sucesso. A morte do Champignon deixou claro que o caminho de pesquisa fazia sentido, mas aumentou ainda mais a responsabilidade”. Impactado pela pandemia, o documentário deveria estrear em abril de 2019, mas, para o diretor, a estreia continua especial. “É muito bom, em um momento como esse, lembrar que o Brasil é um país que produz artistas incríveis”.Chorão: Marginal Alado chega em 8 de abril nos cinemas disponíveis e plataformas streaming de aluguel de filmes. Conexão “O Chorão ainda é um dos artistas de rock brasileiro mais tocados do Brasil, mesmo oito anos depois de sua morte. Ele consegue criar uma conexão com gerações diferentes.O público tem uma identificação ainda muito presente com ele” - Felipe Novaes,Diretor