[[legacy_image_201109]] Para o repórter-fotográfico de A Tribuna e professor Matheus Tagé, a relação entre as redes sociais e a fotografia é um processo irreversível e, nas salas de aula onde leciona, mudou a forma de ensinar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Para o bem ou para o mal, a tecnologia possibilitou a qualquer pessoa se tornar um comunicador. Alguns teóricos chamam este novo indivíduo de prossumidor, uma mistura de consumidor com produtor de conteúdo. Por um lado, é uma concepção democrática dar espaço a todos; por outro, a descentralização cria uma cacofonia de imagens e informações no ambiente midiático. Considerando que todos têm espaço, podemos observar que, talvez, nem todos tenham efetivamente algo relevante para contar”, diz. Ele conclui explicando que esse processo afeta a forma de consumo. “São milhares de imagens o tempo todo, e pouquíssimo tempo para consumir e contextualizar as cenas retratadas. O processo acaba por saturar a percepção da imagem fotográfica enquanto registro. A fotografia assume um papel efêmero de imagem-fluxo”. EnsinoNas salas de aula dos cursos de graduação em fotografia, ela se mostra em constante movimento. “Como professor e pesquisador, observo que isso é uma realidade. Hoje, se discute o conceito de pós-fotografia; uma dinâmica que se estabeleceu por meio do descolamento entre a realidade e as tecnologias de captação de imagem”, afirma. Dessa forma, diz Tagé, provoca os alunos a realizarem produções fotográficas dentro de games e até mesmo pelo Google Street View, site pelo qual é possível visualizar em formato 3D ruas de milhões de locais do planeta, antes mesmo de manusear uma câmera. “São processos que, hoje, podemos utilizar como ferramentas para discutir a linguagem e o papel da imagem enquanto registro pós-fotográfico. De toda forma, existe um paradoxo entre a imagem da realidade e a realidade da imagem; uma percepção essencial para a formação do fotógrafo”. ConsumoSegundo o repórter-fotográfico, o impacto do digital coloca a fotografia em aceleração constante. A essência permanece, embora a dinâmica da efemeridade da imagem seja esvaziada em seu sentido documental. Ele explica que, apesar dessa relação, “vivemos em um mundo de imagens e construímos nossa experiência de mundo através delas”. “A imagem técnica, produzida por profissionais ou não, ainda tem um papel de protagonismo na estrutura de consumo de mídia. Seja em uma guerra, na pandemia, em uma tragédia, uma enchente ou qualquer outro assunto, a fotografia sempre fará o papel de mediação entre o real e sua dimensão de representação”.