[[legacy_image_23598]] Destacamento Blood, o novo filme de Spike Lee, chega no momento mais oportuno (e importante) possível. Com o mundo inteiro em manifestações contra o racismo, o diretor negro mais representativo de Hollywood entrega uma obra que promete fazer barulho. No novo filme, que estreia nesta sexta-feira (12) na Netflix, Spike Lee conta a história de quatro veteranos de guerra que voltam ao Vietnã em busca dos restos mortais de seu comandante e de um tesouro enterrado. A América dos anos 1960 e a América de Donald Trump são bem parecidas. Os afro-americanos seguem sofrendo com o sistema racista. A sociedade continua impregnada com esse mal. É justamente isso que garante qualquer obra de Spike Lee como algo atemporal, infelizmente. E não estamos falando de um diretor de filmografia pequena. Destacamento Blood é o 24º filme de Spike Lee. Faça a Coisa Certa, Malcolm X, Infiltrado na Klan, são inúmeras as produções dignas de Oscar. Sabe quantas estatuetas ele levou para casa? Duas. Uma pelo reconhecimento da obra (pedido enrustido de desculpa da Academia) e outra pelo roteiro adaptado de Infiltrado na Klan. Se o Oscar for realizado em 2021, provavelmente haverá uma campanha forte para que se premie Destacamento Blood. É muito bonito colocar foto de apoio ao “vidas pretas importam” (black lives matter), mas o que estamos fazendo para mudar isso? Manter a luta como mais um apelo artificial de redes não mudará nada. Spike Lee seguirá produzindo a rodo, fazendo filmes que tocam na ferida aberta dos Estados Unidos, a Terra do Tio Sam que não tem nada de liberdade, como gostam de cravar. Liberdade é para os brancos de classe média.