[[legacy_image_63718]] Relacionamentos são complexos, especialmente quando envolvem uma descoberta científica extraordinária. Com essa premissa, a série britânica The One se tornou uma das mais assistidas da Netflix, com apenas uma semana de lançamento. A série se baseia no livro homônimo, escrito por John Marrs e lançado em 2017. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Similar à ambientação de outras ficções científicas da plataforma, como Black Mirror e Orphan Black, a série trata de um aplicativo de namoro revolucionário, que encontra o par perfeito a partir de um teste de DNA. O enredo relaciona a distopia de um mundo ainda mais tecnológico, onde as pessoas só querem se relacionar com seu amor geneticamente compatível, com o suspense de um assassinato cometido há um ano e que está relacionado com o trio de amigos cientistas que fundou a empresa. Mesmo falando sobre relacionamentos, a série não convence ao falar de amor. A química entre os poucos casais é escassa, bem como fortemente influenciada por acontecimentos forçados e conflitos inverossímeis, pouco criativos. A série é mais assertiva quando trata dos mistérios relacionados à sua fundadora e CEO, Rebecca Webb, interpretada por Hannah Ware. A série desperdiça alguns momentos de tensão, que teriam melhor efeito se não fosse pela apatia de sua protagonista. Quando deveria nos convencer de seu envolvimento com as situações, a personagem de Ware é superficial, diminuindo o impacto dos acontecimentos e prejudicando a confiança do espectador no argumento do programa. Sua personagem não convence, sem contar que reforça estereótipos da mulher empresária, cética sobre o amor, que só chega ao topo quando abdica do amor e demais clichês que a tiram de sua feminilidade. Esse efeito é também estético: para parecer mais durona, Rebecca abandona os cabelos compridos e as roupas comuns que usava enquanto concebia o projeto para “se transformar” na personificação do poder, deixando os cabelos em coques asseados e trajando uma variedade inesgotável de terninhos. Porém, nem tudo está perdido. A policial Kate Saunders, interpretada por Zoe Tapper, é um pouco mais crível e passional. Ela serve como “experimento” do aplicativo, provando como a ciência não é capaz de prever a complexidade das relações humanas e como é impossível tentar subverter a emoção por uma mera compatibilidade genética. Como dito anteriormente, o amor é a última coisa que a série consegue convencer. Por isso, os conflitos amorosos entre Hannah (Lois Chimimba) e Mark Bailey (Eric Kofi Abrefa), a narrativa que serve para nos mostrar as “consequências” do produto ofertado pela The One, são completamente previsíveis e arrastadas, desgastando um possível aprofundamento desses personagens e até um desfecho inovador para sua história. Para quem é fã da ambientação de ficções tecnológicas e distopias, bem como o ar de mistério que envolve a rede de segredos e mentiras sustentada por Rebecca, a série pode ser uma boa opção para maratonar em um fim de semana, mas sem compromisso. Não é tão cativante ou ousada, mas carrega em seus oito episódios de cerca de 40 minutos cada uma fórmula eficaz para quem busca fugir dos filmes de amor.