[[legacy_image_47324]] De humor ácido e grandes efeitos dramáticos, a minissérie Halston é a nova proposta de maratona na Netflix, com apenas cinco episódios. Baseada no livro Simply Halston, de Steven Gaines, a produção conta a história do polêmico estilista americano Roy Halston Frowick, que revolucionou o mundo da moda enquanto modelo de negócios e criou tendências marcantes na era disco nova-iorquina dos anos 1970 e 1980. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Partindo da confecção de chapéus, Halston explodiu em popularidade quando um de seus designs foi utilizado por Jackie Kennedy na televisão. Posteriormente, se envolveu com a produção de roupas masculinas, perfumes, lingeries, acessórios e até uniformes para a equipe norte-americana durante as Olimpíadas. Suas costuras elevaram o jogo para os estilistas dos EUA, colocando a moda americana no páreo de inovação para competir com designers parisienses. Além disso, Halston foi o primeiro estilista-celebridade de que se tem notícia, tornando-se uma presença carimbada em festas e eventos sociais. Entre os melhores amigos do estilista, estavam celebridades como Liza Minnelli, Elizabeth Taylor e Andy Warhol, com quem frequentava o badalado Studio 54 em NY. Com a estética excêntrica que se tornou assinatura de Ryan Murphy, um dos responsáveis pela produção da série, sua ambientação aposta na luxúria e glamour vibrantes da vida pessoal de Halston. Ewan McGregor surge extremamente carismático para estrelar como o protagonista, abraçando sua personalidade ambiciosa e obstinada, que mesmo tão energética e triunfante durante seu sucesso, seria também o motivo de sua ruína. Os contrastes entre a vida bucólica em Iowa, onde convivia com abusos familiares e a absoluta falta de perspectiva, e a vida agitada de sucesso em Nova Iorque, desenham a narrativa conturbada do estilista. Vivendo aos extremos, a saga tempestuosa de Halston chega ao limite com a venda de seu nome, o vício em cocaína e o diagnóstico de AIDS, que culminou em sua morte precoce, aos 57 anos, após 18 meses do diagnóstico. Toda essa saga de altos e baixos é prato cheio para a adaptação. Retratado como alguém que nasceu para a indústria, criando chapéus com penas de animais para sua mãe enquanto ainda era criança, sua evolução é feita de forma dramática. Vários momentos históricos de sua carreira são retratados com entusiasmo e elegância, como a Batalha de Versalhes, uma noite tida como revolucionária na história da moda. Porém, ao abordar a vida pessoal do estilista, a narrativa se limita a arranhar a superfície, deixando o espectador a mercê de um recorte estereotipado de um artista narcisista que sucumbiu aos excessos da fama. Mesmo envolta em clichês e uma narrativa rasa, criando uma persona exuberante e caricata para Halston, a minissérie traz pontos de vista interessantes sobre a evolução da moda nos EUA e no mundo, bem como revela a transformação do business. Em uma época que revolucionou a cultura pop americana em vários segmentos, excentricidade é a palavra-chave para entender o impacto de estilistas tão marcantes quanto Halston.