[[legacy_image_217759]] Ele é dono da maior produtora de funk do Brasil e responsável pelo gerenciamento dos MCs Kekel, Lexa, Guimê e outros grandes nomes do gênero. É quase impossível não ter escutado Bum Bum Tam Tam, Olha a Explosão, Amor de Verdade ou Deu Onda em algum momento. Todos esses hits estão no canal do YouTube com mais de 66,1 milhões de inscritos do produtor Kondzilla. Por trás desses sucessos, está o guarujaense Konrad Dantas, de 34 anos, um jovem que sonhava em entrar no mercado do audiovisual e hoje possui o canal de música do YouTube com maior número de inscritos da América Latina. Em entrevista para A Tribuna, durante a aula inaugural do projeto Escola de Criadores, em Guarujá, o Kondzilla falou sobre o começo de sua carreira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O que motivou a criar este projeto e trazê-lo para o Guarujá? A educação teve um papel muito importante na minha vida. Eu sou filho de uma professora do Guarujá. Minha mãe faleceu em 2008. Era uma pessoa bem conhecida e bem querida aqui no Município. No dia do enterro dela, as amigas falaram que o sonho dela era comprar um apartamento no Gonzaga e que eu deveria pegar esse recurso do seguro de vida, que ela fez, e comprar. Eu pensei: ‘Mas se eu comprar esse apartamento, eu não vou ter o dinheiro para pagar o condomínio e eu vou perder em breve. Vou aplicar esse recurso na educação’. Então fui para São Paulo estudar computação gráfica. Esse é o papel que a educação teve na minha vida. Fazer o Instituto Kondzilla é revisitar todos esses gatilhos, ferramentas e caminhos que me proporcionaram chegar até aqui. Montar a Kondzilla é mostrar para o jovem de periferia que é possível. Mostrar que a meritocracia não existe, a gente não sai do mesmo lugar, mas tentar trazer essa oportunidade para a população aqui de Guarujá, que é a minha origem, que é de onde eu saí. Como é, para você, realizar esses trabalhos com grande impacto social na vida de jovens? O trabalho da Kondzilla é um trabalho de impacto social desde o começo. Quando eu pensava em trabalhar com entretenimento, com música para transformar a minha vida e a da minha família, naturalmente a gente acabou impactando na vida de um milhão de outras famílias, seja direta ou indiretamente. Desde o compositor, o amigo do artista que virou DJ, o outro amigo que virou fotógrafo, enfim, a gente acaba nutrindo toda essa cadeia criativa e artística de talentos que vêm da periferia. Lá, não tem apenas pessoas que sonham em ser cantores ou jogadores de futebol, tem muitos outros tipos de talento que a gente quer explorar dentro do Instituto também. Como você se sente trazendo essa primeira turma para Guarujá? Sinto muito orgulho e responsabilidade também. Eu sei que Guarujá é um município que não é pequeno, tem pouco mais de 300 mil habitantes, e revelou diversos talentos como Kelvin Hoefler, Adriano Mineirinho, Coxa e o Charles do Bronx. Está na hora da gente revelar outros tipos de talento e as mulheres também, que merecem ser reconhecidas. Por que você decidiu abrir a produtora? Eu precisava dar conta do volume de trabalho que estava chegando até mim. Teve uma hora que eu não estava mais dando conta e eu percebi o sentido daquela frase: ‘Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro’. Estava fazendo muito trabalho ‘mão na massa’ e tinha muito mais projeto e oportunidade chegando, mas eu não estava conseguindo aproveitar todas. Então a ideia era escalar todo esse trabalho e tentar multiplicar o meu tempo ali. Montei uma companhia e trouxe outros talentos que sabem como fazer, como realizar essas entregas e dar conta de toda essa demanda que estava vindo do mercado. Por que focar no funk? “No começo, em 2010, eu fiz três videoclipes: dois de rap e um de funk. Eu me inscrevi no Curta Santos e concorri na categoria Melhor Videoclipe. Aí eu falei: ‘Acho que eu tenho um pouco de talento para isso aí’. Mas não sabia se eu ia conseguir viver disso. Como eu tinha feito três projetos e enviei dois para o Curta Santos e ambos foram selecionados, comecei a experimentar vários estilos de música. Por exemplo, no final de 2011, eu dirigi o DVD do Charlie Brown Jr. foi filmado no Clube Portuários, tinha feito alguns videoclipes de rock, funk, hip hop e de rap. Os videoclipes de funk foram os que mais engajaram no YouTube e uma coisa que eu gosto do estilo é que ele é muito acolhedor. Não importa se você é alto, baixo, gordo, magro, bonito ou feio, se você tem algo para somar e contribuir, será bem-vindo. Naquele período eu não conseguia enxergar isso nos outros gêneros musicais. Qual o motivo da escolha do nome Kondzilla? Kondzilla vem do meu nome. Meu nome é Konrad, mas meu irmão não conseguia pronunciar e falava ‘Kond’. Eu também queria juntar com o nome de algum monstro e juntei ao nome do primeiro filme que assisti no cinema, que foi Godzilla. Quando você percebeu o impacto do seu trabalho? Que ele estava alcançando um público grande? Ainda estamos chegando lá. Cada hora a gente está chegando em um lugar diferente. O primeiro videoclipe que deu 1 milhão de visualizações; depois o primeiro a fazer esse número em 24 horas. Cada hora estamos descobrindo um número muito maior.