[[legacy_image_214886]] Há uma enorme expectativa para o lançamento de ‘É Assim que Começa’, da autora norte-americana Colleen Hoover, na próxima terça-feira (18). Afinal, ele promete dar uma continuação à história de Lily e Atlas, casal protagonista do livro mais vendido no Brasil em 2022, o polêmico romance ‘É Assim que Acaba’. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Eu falo polêmico porque esta é daquelas obras que têm os que amam, os que odeiam e os que não acham tudo isso. Particularmente, sou fã da autora, que é recordista de vendas não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, onde é figurinha recorrente nas listas de best sellers. É Assim que Acaba é a publicação mais pessoal dela. Foi lançada em 2016 pela Galera Records e o final deixou um gostinho de quero mais. Afinal, tanto Lily como Atlas passam a história toda sofrendo (e nos fazendo sofrer) e quando, enfim, conseguem ficar juntos (desculpe, há spoilers neste texto), o livro acaba. Para quem nunca leu, Lily e Atlas se conhecem na adolescência, quando ele é um morador de rua, órfão, ajudado por ela, que é filha de um homem importante e respeitado na cidade, mas que dentro de casa é violento, agredindo a mãe constantemente. Aquela velha prática de manter as aparências de família irretocável. A diferença social e o destino separam o casal protagonista por muitos anos. A temática da violência doméstica permeia todo o livro, desde o julgamento de quem está de fora até as consequências e resiliências de quem a vive. É uma narrativa poderosa, complexa e dolorosa, principalmente por sua honestidade. Ao final, a autora escreve uma emocionante carta revelando ao leitor que a história foi baseada em sua experiência pessoal. É para ler com lenço na mão, pois é extremamente tocante. Este foi o livro que me apresentou à autora, acho que em 2017. Fiquei tão impactada que comecei a recomendá-lo a todos. Queria conversar sobre a história. Saber outras opiniões, discutir e compartilhar as impressões. É o tipo de escrita que fervilha tanto dentro da gente, que transborda. [[legacy_image_214887]] Entrei em vários fóruns para poder extravasar essa sensação. Eu nem tinha certeza se tinha gostado, mas sabia que ele tinha mexido comigo. Em uma realidade na qual a cada 7 horas uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil, fica impossível não destacar a temática e a importância deste livro ser o mais vendido no País. O primeiro capítulo já começa coma protagonista Lily vivendo o luto de seu pai. Mas, ao invés de estar triste, o sentimento é de alívio e de reviver memórias da relação de abuso entre ele e sua mãe. Mãe esta que Lily constantemente julga. Porém, no decorrer da narrativa, a Lily se apaixona por Ryle, cara que parece bacana. É inteligente, carinhoso, bonito, tem um humor ácido, rico e cirurgião bem sucedido. Contudo, também passa a mostrar um comportamento agressivo. Os chamados ‘acidentes’, em que ele perde a cabeça durante momentos de raiva e ciúme empurram a protagonista ao limite e a afundam na tristeza, na culpa e no dilema de dar mais uma chance. Afinal, ela o ama e ele é, na maior parte do tempo, uma boa pessoa. Lily começa a enxergar a mãe de outra forma, do lado de dentro da experiência de abuso. Nada é preto no branco. O maniqueísmo da luz e da sobra é nublado pelas nuances. Há muitas camadas nos personagens. Foi interessante reler este livro recentemente. Na minha primeira leitura, assim como Lily eu também me apaixonei por Ryle. De certa forma, minha paixão por ele foi esmorecendo como aconteceu coma protagonista. Na releitura, percebi, entretanto, que a autora nunca nos enganou. O personagem já mostrava sua tendência à instabilidade desde sua primeira ‘cena’. É preciso ressaltar que, apesar da temática, é um livro fluido, de leitura rápida e com toques de humor e romance. A autora é mestre em destrinchar temas difíceis. Há, inclusive, críticas frequentes de que o livro ‘passa pano’ para o abuso, que sendo um crime deveria ser denunciado. Isso também me incomodou. Para quem nunca leu, ainda dá tempo de conhecer essa história e depois seguir para o lançamento É Assim que Começa (Galera Records), que chega ao Brasil de forma simultânea com os Estados Unidos. Segundo a própria autora, a continuação será uma história de duas pessoas. Parece que teremos o tão esperado final feliz para o amor de Atlas e Lily – porém quando se trata de Colleen Hoover, a gente nunca sabe, até porque há um ex-marido abusivo e um fruto deste casamento no contexto.