[[legacy_image_99574]] Assim como a escola tem o papel de alfabetizar, instruir e formar os munícipes, a biblioteca tem a finalidade de ampliar o universo de repertório e referências culturais, fortalecendo os diálogos com o meio cultural. É o que acredita a professora doutora em Biblioteconomia na USP, Ivete Pieruccini. “Ninguém imaginaria uma cidade sem escolas”, afirma. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A inexistência de bibliotecas municipais - como ocorre em Bertioga - priva o cidadão de seu direito de ampliar seu ponto de vista cultural, social e político, diz ela. Segundo a especialista, em meio a isso, surge a necessidade destas instituições oferecerem diversidade de títulos disponíveis, na medida que se atentam à qualidade de produção. É necessário uma aquisição sistêmica e permanente de livros, pois, as publicações são finitas. “O livro acaba mesmo. Quando ele é realmente utilizado, ele gasta, precisando ser reposto”, diz ela. Com essas nuances, mostra-se necessário que sejam criadas políticas de desenvolvimento de “coleções”, o que também requer investimento. OrçamentoCom relação aos aportes na região, os dados das prefeituras não se alinham entre si. Em alguns municípios, há o valor da verba que é direcionada diretamente às bibliotecas. Na maioria dos casos, não.CONFIRA LISTA COMPLETA DE BIBLIOTECA MUNICIPAIS DA BAIXADA SANTISTA Praia Grande tem maior volume de recursos empregados. Para as duas unidades centrais, houve o orçamento de mais de R\$ 1,3 milhões em 2019, R\$ 1,5 milhões em 2020 e R\$ 1,2 milhões em 2021. Mongaguá, que entre 2019 e 2021 destinou anualmente cerca de R\$ 46 mil às bibliotecas, tem o segundo maior orçamento. Cubatão, por sua vez, investiu R\$ 20 mil em 2019 e R\$ 25 mil neste e no último ano. Porém, em 2020 os recursos não foram utilizados integralmente por conta dos da covid-19. Em Peruíbe, há R\$ 250 mil previstos para este ano, porém, a administração explicou que o caixa disponível à biblioteca não é necessariamente utilizado na íntegra. Este valor é o mesmo dos últimos dois anos e faz parte dos recursos do Departamento Municipal de Cultura para “preservação do patrimônio material e imaterial do município”. PacoteNesse contexto, Guarujá tem o maior investimento regional. Em 2019 foram investidos R\$ 2,4 milhões, em 2020 R\$ 5 milhões e em 2021, até agosto, R\$ 2,5 milhões. De acordo com o secretário de educação de Guarujá, Marcelo Feliciano Nicolau, é resultado do foco em reformas das bibliotecas desde 2019. Esses investimentos incluem todas as bibliotecas da cidade, até as que estão dentro das escolas. “Elas possuem o mesmo padrão, seja com equipamentos, como computadores de ponta, seja com títulos específicos que atendam necessidades especiais, como aqueles que são mais técnicos”, diz Nicolau. Dentro dos valores, constam assinaturas de jornais, internet, folha de pagamento dos 46 servidores que atuam nas bibliotecas, custeio de contas e até uma ajuda ao Fundo Social de Solidariedade da Cidade. Também, em 2020, diz o secretário, foi feita um trabalho extra de capacitação por conta da pandemia. No caso de Itanhaém, há apenas a dotação anual do Departamento de Cultura, que inclui as bibliotecas municipais. Neste ano, o valor investido foi de R\$ 1,3 milhões. Santos seguiu a mesma linha, informando que o Departamento de Formação e Pesquisa Cultural, onde se situam as bibliotecas, recebe R\$ 130 mil por mês - somando cerca de R\$ 1,5 milhão por ano. Sem respostaSão Vicente foi a única que não forneceu mais informações, alegando que “não há como precisar valores destinados às bibliotecas, uma vez que estão atrelados ao orçamento geral do Município”. Investimentos futurosEm Cubatão está previsto que, para 2022, seja mantida a verba de R\$ 25 mil direcionada às bibliotecas. Mas informam que o valor que pode sofrer alterações visto que a Lei Orçamentária Anual está em elaboração. Em paralelo também tramita o processo de licitação para reforma e restauro de todo o prédio da Biblioteca Municipal. O equipamento é um bem público tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Cubatão (CONDEPAC). Para as melhorias, está previsto um investimento de cerca de R\$ 2 milhões.