Como teria sido Jesus de fato? Não o profeta que praticava milagres e está nas páginas do Novo Testamento, mas o homem que nasceu em Nazaré e no século um viveu e percorreu a palestina romana, incomodando poderosos de seu tempo? Em busca de respostas a essas perguntas, o professor de História da Arte, Iconografia e Simbologia, Alex Fernandes Bohrer, traçou o perfil de Cristo, com base em vários documentos e pesquisas. O resultado está no livro Jesus – Um breve roteiro histórico para curiosos (Chiado Books), que acaba de chegar às livrarias.Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!Além dos escritos da Bíblia, o autor se utiliza de relatos de historiadores romanos contemporâneos aos fatos, descobertas recentes da arqueologia, que mostram o contexto cultural do tempo em que Cristo viveu, e outros textos de caráter teológico. Com este caldeirão de referências, Bohrer tenta desvendar, em forma de uma leitura fácil, quem foi o homem por trás da religião. Para isso, a cada capítulo, ele responde a uma das perguntas que são mais comuns sobre a vida do fundador do Cristianismo, como por exemplo, como teria sido a infância de Cristo, como era a família do messias, quem foram os apóstolos e o que aconteceu depois que o túmulo dele foi encontrado vazio. A aparência de Jesus também é abordada no livro. “Hoje, vemos um Cristo loiro, que é uma produção mais europeia, que ganhou força com o cinema. Com certeza, podemos afirmar que ele era um homem semita, de cabelo crespo, pele queimada do sol, olhos negros, não muito alto. Como era comum naquela época, devia ter cabelos curtos e barba”, conta Bohner, que vai além: “Também não tinha aquela imagem magra, franzina que vemos na arte. Ele era forte, pois era marceneiro, profissão que exigia muita força, e também não tinha animal para locomoção, o que implica dizer que ele andou muito por toda aquela região durante sua vida”.Bohner une a parte teológica e a do homem real em sua obra, e usa como metáfora uma cebola sobre as camadas que formam Cristo. “Como uma cebola, quanto mais profundo vamos, mais nos aproximamos do Jesus histórico, de carne e osso; quanto mais camadas deixamos, mais nos aproximamos do Cristo, o Filho de Deus. Portanto, esses são entes diferentes: Jesus X Cristo. Não há contradições nesse jogo entre o histórico e o religioso”, explica o autor.