[[legacy_image_244547]] “Dê um sorriso e ganhe um livro”. Com uma plaquinha no peito, o morador de Guarujá Fábio Rogério, de 59 anos, faz uma troca com aqueles que passam pela orla da Praia da Enseada, na altura do 3.035 da Avenida Miguel Stefano, aos domingos pela manhã. O mediador de leitura chegou à marca de 999 livros distribuídos em apenas 4 meses – e entregou o milésimo ao secretário de Turismo de Guarujá, Fabio Santos, cuja pasta apoia o projeto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tudo começou em 2016, quando Fábio morava em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e um amigo o presenteou com 400 livros. “No início, eu não sabia o que fazer com os livros, mas decidi aceitar o presente mesmo assim”, explica. O destino dos livros não ficou incerto por muito tempo. “Uma noite de quarta-feira tive um sonho e vi uma inscrição assim: ‘Dê um sorriso e ganhe um livro’. Só sei que, no domingo seguinte, eu estava com uma plaquinha no peito, distribuindo livros nas principais vias de Campo Grande”. O projeto começou a viralizar pela cidade. Assim, Fábio passou a receber muitas outras doações de livros de literatura geral. “O ‘preço’ é um sorriso” Antes dos sorrisos, Fábio Rogério coloca os livros doados sobre uma prancha de surfe, na Enseada. “As crianças passam, veem os livros infantis e se interessam. Eu não abordo ninguém. Dou o livro de presente, só que o ‘preço’ é um sorriso”, diz. “Quando as crianças pegam algum livro os adultos acabam pegando também”, conta o distribuidor de livros. Fábio relembra que já esteve na cidade de Sorriso, localizada em Mato Grosso, e lá fez jus ao nome da cidade: ele ficou uma semana na cidade distribuindo poesias em troca de sorrisos. “Distribuí centenas delas. Foi uma experiência única”. Quando o projeto começou em Guarujá, em meados de setembro de 2022, Fábio Rogério não imaginava que, em tão pouco tempo, alcançaria a marca de mil livros distribuídos. “Não esperava chegar a essa marca em quatro meses”. Leitor assíduo Como um bom mediador de leitura, o distribuidor de livros também é um leitor assíduo. “O livro sempre vai ensinar alguma coisa para a gente”, afirma. “Se você pegar um livro de receitas, vai fazer algum bolo, alguma torta. Um livro de literatura brasileira vai servir como um panorama do nosso País, e assim vai”. Por mais que goste de livros, Fábio admite que procura selecionar bem as obras que lê. É natural: algumas pessoas não gostam de um gênero literário, mas outras amam. “A beleza do livro é que ele consegue fazer essa magia. Todo livro tem seu público”.