A missão da pequena Maria é entender o mundo dos adultos - que costumam complicar as relações e os sentimentos mais simples - e tentar mudar essa realidade com um dicionário. Esse é o enredo de "A Maria que não vai com as outras", do carioca Virgilio Magalde de Azevedo. Maria, personagem principal, é uma menina inquieta, inteligente e inconformada. Gosta muito de entender as coisas. Quando não consegue, é para os livros que recorre. Se nem a literatura ajuda, é ela mesma que estuda e cria. Foi assim que surgiu a ideia de escrever um “dicionário de adultos”, já que compreender a vida de gente grande parecia uma tarefa impossível. E é observando as relações da família, a convivência com os amigos, a rotina da escola, que ela vai fazendo seu dicionário. Com linguagem infantil e carregada de humor inocente, Azevedo traz a visão da menina para algumas situações cotidianas. “Sempre tive vontade de escrever um livro como se fosse uma criança, que questionasse esse mundo dos adultos. E como ela não se enxerga neste contexto, resolve criar um dicionário para entender esse universo. Ressignificando as coisas ela acha que pode mudá-las”, conta ele. Maria questiona tudo para tentar entender porque os adultos insistem em complicar as situações do dia a dia. Sem se dar conta, ela muda aos poucos a vida de todos a sua volta e ensina lições valiosas para aqueles que a conhecem. Para compor o livro, vendido apenas na versão digital pela Amazon, ele buscou referências na sua infância e muito do que vê atualmente e colocou no papel as definições para amor, preconceito, conflitos, trabalho, amizade, dinheiro, felicidade e vida. Projeto ampliado Esse é o segundo livro do autor, mas sua primeira experiência é com poesia. E ele se encantou tanto em “brincar” com Maria, que não pretende deixar a personagem de lado. A ideia é ampliar o dicionário lançando periodicamente um livro novo com outras palavras. A versão atual pode ganhar uma edição impressa no segundo semestre. Além de provocar a análise de cada termo pelos adultos leitores, o livro de Azevedo também quer ajudar a estimular a leitura para crianças. Para isso, o lucro do autor será todo revertido para projetos sociais que envolvam criança e educação. “A cada três meses, vou fazer uma doação para uma entidade ou escola que tenha projetos de leitura ou para a criação de uma biblioteca”, afirma.