[[legacy_image_204376]] O Espaço Cultural da Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, será pequeno para acomodar o falatório e as lembranças que prometem estar presentes no lançamento da Coletânea Picaré - 40 anos de Poesia & Artes, no próximo dia 10, das 15 às 20 horas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Falatório e lembranças porque o objetivo da coletânea foi justamente reunir textos e histórias de um dos movimentos literários e de rebeldia mais frenéticos de Santos, o grupo Picaré, que agrupou jovens poetas e escritores da Cidade entre 1979 e 1984. Se o lançamento de um livro já provoca burburinho, uma coletânea de 38 autores deverá levar à Pinacoteca um sem-número de pessoas que viveram naqueles tempos em que tudo o que os jovens artistas queriam era por em xeque a elitização cultural, as academias tradicionais e o próprio controle sobre as publicações, já que a época era de regime militar e censura. O autor da coletânea é o jornalista e escritor Raul Christiano, ele mesmo um dos criadores do Picaré. O livro já era para ter sido lançado em 2019, quando dos 40 anos do movimento, mas buscar e contatar todos os 55 membros daquele seleto grupo de jovens não foi tarefa fácil. Trinta e oito responderam ao chamado, enviando seus trabalhos. Todos têm na coletânea o mesmo espaço: seis páginas, com biografia detalhada, além de textos, ilustrações, gravuras, fotos e outros materiais, antigos ou inéditos. “Cada um pôde escolher o que queria mandar para a coletânea. É o espaço deles”, diz Raul. HistóriasPicaré é o nome dado à rede de pesca que, hoje, é objeto proibido porque acaba capturando todo tipo de peixe. Na época, a relação com o termo fazia todo sentido: o objetivo era atrair o maior número possível de jovens poetas, escritores e artistas. Até pichadores faziam parte da turma, que começou se reunindo para rodas de conversa na Faculdade de Comunicação da UniSantos (quando ainda era na Rua Sete de Setembro), e foi ganhando outros espaços, como bibliotecas e bares. Nos encontros, planejavam passeatas, manifestações, distribuição de poesias e outros textos. ArtesanalRaul Christiano guarda na memória as experiências vividas e o idealismo que envolvia os jovens daquela época. “Defendíamos a democracia, a liberdade. A poesia sem travas, sem academicismos, era a nossa defesa de liberdade de expressão”. Sem recursos para bancar uma produção profissional, os livros, livretos e revistas eram produzidos com mimeógrafo ou xerocopiados, e distribuídos na porta das faculdades, em bares e praças públicas. Publicar essa coletânea, diz Raul, é resgatar um pouco do que foi aquele momento da Cidade e do País. A própria apresentação que ele faz, no início do livro, já é um capítulo à parte: são 59 páginas em que ele transita por aquela atmosfera política e cultural dos anos 70, descrevendo os personagens, os jornais da época, as cenas da Cidade, os encontros e os momentos vividos em busca de uma forma alternativa de fazer cultura. RealejoA coletânea dos 40 anos do Picaré tem a chancela da Editora Realejo Livros, do santista José Luiz Tahan. Segundo o livreiro, que apostou na obra como valor literário e histórico, falar de Picaré é falar de Brasil. “Alguns movimentos que ocorreram aqui também estiveram presentes no Brasil daquela época. Pela literatura, aqueles jovens manifestavam sua forma de ver o mundo, e isso precisa ser eternizado em uma publicação como essa”. O livro estará à venda no dia do lançamento, nas principais livrarias do País e também no site da Realejo.