[[legacy_image_78586]] Aos 54 anos, Claudia Raia se entrega completamente a cada trabalho que faz. Em Ti Ti Ti, novela exibida em 2010 e atualmente reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, na TV Globo, a atriz emprestou seu carisma à excêntrica Jaqueline. Classificada pela intérprete como uma Porcina moderna – em referência à personagem de Regina Duarte em Roque Santeiro –, a exuberante personagem se apaixona por Jacques Leclair (Alexandre Borges) e o auxilia com sua grife e também nos embates do estilista com Victor Valentim (Murilo Benício), até ser trocada por Clotilde (Juliana Alves). Para a artista, o tempero especial desse trabalho foi o clima divertido e acolhedor dos bastidores. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Ti Ti Ti está sendo reprisada em um momento que a sociedade precisa sorrir, no meio de tantas tragédias. Como você avalia o impacto da trama na vida das pessoas? Acho positivo. A realidade está muito dura. Ti Ti Ti é uma novela leve e traz alegria para o público. Apesar de ter drama também, é um folhetim com humor. O texto da Maria Adelaide Amaral era uma delícia. A direção do meu querido Jorginho Fernando era maravilhosa. E, agora, as pessoas têm a oportunidade de se divertir de novo com a história. Que cena de Ti Ti Ti ficou marcada na sua memória? Tudo da Jaqueline era hilário. Mas acho que as cenas dela com a filha, Thaísa (Fernanda Souza), tinham uma camada a mais. Era uma relação muito disfuncional. Cômica, mas, ao mesmo tempo, existia um drama. Às vezes, Jaqueline queria se comportar mais como amiga da filha do que como mãe, o que gerava conflitos. Sem contar que foi ali que adotei Fernandinha Souza, minha filha que eu amo tanto. Como você descreve a sua parceria com Alexandre Borges e Murilo Benício em cena? Foi muito especial. Tanto Alexandre quanto Murilo são atores talentosos e generosos. Sempre tivemos uma troca boa em cena. Com Alexandre, então, tenho um grande entrosamento. Brinco que ele é meu marido da ficção, porque já fizemos muitos pares românticos (risos). Murilo tinha sido meu parceiro em A Favorita (2008) também e repetimos a dobradinha. Foi lindo esse reencontro. Seja no drama ou na comédia, você sempre está inteira na cena. Que sensação o humor de Ti Ti Ti te desperta como atriz? Não sei fazer nada pela metade. Me entrego aos personagens. Adoro trabalhar tanto com drama quanto com comédia. Acho que saber navegar nessas águas todas faz parte de mim. Uma comédia como Ti Ti Ti não é fácil de fazer. Jaqueline era tudo muito com ela (risos). Era grande, exuberante, uma Porcina moderna. Então, é importante achar um ponto de equilíbrio ali, para que a personagem também não se perca, seja crível. Esse é o desafio. Ao mesmo tempo, você tem uma comédia mais rasgada, que é uma delícia de fazer. Acho que a novela faz tanto sucesso porque o clima dos bastidores se refletia nas cenas. Era uma alegria, tudo leve, para cima. Jorginho sabia comandar bem todo mundo e deixar o ambiente mais divertido e acolhedor. Como era a rotina de ser dirigida por Jorge Fernando? Era um espetáculo! Ele inventou esse gênero da comédia do horário das sete e sabia o que estava fazendo, o que queria. Adoro ser dirigida. Então, amava trabalhar com ele. Sempre tivemos uma troca muito boa, que contribuía para o trabalho e para a criação das personagens. Sem contar que Jorginho era meu irmão querido. Confiava plenamente nele. Era uma alegria a mais ir trabalhar sabendo que ia encontrá-lo no set de gravação. Sassaricando entrou no catálogo do Globoplay recentemente. O que a novela representa na sua carreira? Muita coisa! Tancinha foi a grande explosão da minha carreira. Foi em Sassaricando que o público me conheceu. Era uma mulher ingênua em um corpo de mulherão, que falava errado e tinha um jeito muito desinibido e espontâneo. Tudo isso cativou o público. O jeito de falar era imitado pelas pessoas. Ela foi uma das capas do disco da novela, tamanha era a repercussão. Um dos grandes mistérios era com quem a personagem ia ficar no final da trama, se com Beto (Marcos Frota) ou Apolo (Alexandre Frota).