[[legacy_image_98083]] Diagnosticada com câncer no colo do útero em dezembro do ano passado, a cantora santista Xandra Joplin morreu vítima da doença nesta terça-feira (31), aos 56 anos. Conhecida pela voz rouca e potente, parecida com a de Janis Joplin, Xandra ficou conhecida regional e nacionalmente como cover da intérprete norte-americana. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Desde o diagnóstico, ela vinha passando por sessões de quimioterapia para tratar a doença. Uma campanha virtual foi organizada por amigos para ajudá-la financeiramente, já que a única fonte de renda de Xandra era a música - setor praticamente paralisado durante a pandemia. O músico Reinaldo Andrade tocou com a cantora há poucos meses, em um projeto num Clube de Blues de Santos. "Conhecia a Xandra há muitos anos, tocamos bastante juntos. Há cerca de dois meses nos apresentamos e o show foi para o Youtube", afirmou. "Ela era muito carisma, super simpática, sorridente, aquele tipo de pessoa que todo mundo gostava. Como cantora, tinha um amor pela música. Tinha muita entrega, cantava com muita emoção", lembra Reinaldo. Ele destaca que a carreira de Xandra não se limitou à Baixada Santista. "Fez coisas muito legais, foi no Jô, no Caldeirão do Huck. Teve projeção em todo País", disse - Xandra deu entrevista para o Jô em 2007. O músico e produtor Digo Maransaldi conheceu Xandra no começo da década de 1990. "Tinha um movimento bem legal de bandas autorais de rock na Baixada Santista. Eu estava começando a tocar bateria em algumas destas bandas e no circuito de bares da região. Fizemos vários shows nos mesmos eventos e cultivamos uma amizade bem legal, que só foi crescendo durante o tempo. Quando ela começou a cantar no projeto de cover da Janis Joplin, foi o momento que eu passei a tocar com ela", conta. 'Xandrinha', como Maransaldi costumava chamar a cantora, sempre foi uma pessoa simples, humilde, com um coração imenso e a favor de toda liberdade de expressão, diversidade, arte. "Dominava o palco como poucas pessoas, cheia de identidade, é claro, com aquela semelhança e devoção as rainhas do blues e Janis Joplin. Uma cantora autodidata, com o ouvido e cordas vocais apuradas, cheia de expressão e sentimento na hora de cantar e no seu dia a dia. Nasceu para ser a 'artista' Xandra Jopin". O produtor e jornalista Eugênio Martins Junior foi o responsável pela última apresentação da cantora, no Clube de Blues. "Nem sabia que ela estava doente. No dia do último show da Xandra, infelizmente não pude ir ao estúdio porque havia um caso de covid na minha família. Ela tinha um fã clube gigantesco no Brasil inteiro e não perdia a chance de cantar. É um nome do rock santista que se foi e vai fazer falta". O velório da artista será nesta quarta-feira (1º) pela manhã, na Santa Casa de Santos, e o sepultamento ocorrerá em seguida, no Cemitério do Saboó.