[[legacy_image_177723]] Luedji Luna é cantora, baiana, nascida em Salvador. Aos 34 anos, coleciona alguns sucessos e está se preparando para uma turnê na Europa. As letras são marcadas pelas suas próprias experiências como mulher negra que decidiu mostrar ao mundo sua perspectiva sobre ele. Com o sucesso, veio o segundo álbum, que foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O que significa o Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água? É o meu segundo álbum da carreira, e foi construído no trânsito, nas viagens, nas turnês, no avião, na van. Porque o meu primeiro disco foi, de fato, o que me projetou nacionalmente. A temática do amor está muito presente nas letras, tem muitas canções em parceria, mas eu sempre como letrista, em boa parte delas. O resultado foi esse mergulho no tema. Meu, mas de Tatiana Nascimento, Conceição Evaristo, Cidinha da Silva, Nina Simone. Há um apagamento nosso também nesse quesito. Somos invisibilizadas, não nos vemos na mídia, novela ou literatura como musas, objetos de desejo, princesas que acham o príncipe. É como se não existíssemos no campo da afetividade. Ele é um álbum que nos coloca como protagonistas. Você acha que o Brasil tem abraçado mais e amado as mulheres negras que trabalham com arte? É para ser sincera? Quando eu surgi na música, encontrei um contexto diferenciado. Eu sou de uma geração que surge no contexto da internet, quando o meu clipe Um Corpo No Mundo viralizou, muita gente começou a me conhecer e aí tudo aconteceu. Mas eu não surjo sozinha, eu vim com um bonde enorme, de cantoras negras em suas diferentes vertentes. (...) Muita coisa mudou, muitas artistas que surgiram naquele período continuam fazendo seus shows, mas não com a mesma demanda, respeito, patrocínio e visibilidade. Não somos tão valorizadas na indústria quanto as artistas brancas que surgiram naquele mesmo período. Há cinco anos, conhecemos uma Luedji Luna também muito diferente em outro aspecto: você ainda não era mãe. O que muda com a maternidade? Mudou tudo. Está o caos. A maternidade é um trabalho vitalício e perene que escolhi e amo, mas tem sido um quebra-cabeça conciliar. Quais novidades estão por vir? Agora eu estou gravando a versão Deluxe do Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água, que vai contar com muitas parcerias, do Brasil e exterior. O terceiro disco está surgindo aos poucos.